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Feminicídios em alta: “O direito não vai trazer todas as respostas”, analisa a advogada Fernanda Amorim

Nesta quarta-feira, 3 de dezembro de 2025, a advogada, doutora em Direito na Universidade Federal do Paraná (UFPR), mestra em Ciências Jurídicas na Universidade do Vale do Itajaí (Univali), pós-graduada em Direito Penal e Processo Penal na Academia Brasileira de Direito Constitucional (ABDConst), autora dos livros “Respeita as Mina: inteligência artificial e violências contra a mulher” e “Pai, te amo sempre”, feminista inveterada e pesquisadora sobre questões de gênero há mais de 10 anos, Fernanda Pacheco Amorim, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.

“Uma sociedade que vê matar uma mulher a cada seis horas, por ser mulher, está longe de ser justa”, disse a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia após novos dados sobre feminicídio, em um discurso no Conselho Pleno da OAB Nacional. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, houve um aumento de 26% no número de tentativas de feminicídio em 2024.
De janeiro a setembro de 2025, cerca de DUAS MIL E SETECENTAS mulheres sofreram esse tipo de crime e mais de mil morreram vítimas de feminicídio. Neste fim de semana, o Brasil se deparou com três casos de violência contra mulheres que ganharam repercussão pela brutalidade. Na última sexta-feira à tarde, João Antonio Miranda Tello Ramos Gonçalves matou duas funcionárias do Cefet, Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca, no Rio de Janeiro.

O autor do crime, que estava afastado por questões de saúde, cometeu feminicídio contra a coordenadora da equipe pedagógica e acadêmica da Direção de Ensino da escola, Allane de Souza Pedrotti Mattos, e a psicóloga escolar Layse Costa Pinheiro. Após o crime, ele se matou. Investigações mostram que a arma usada no crime estava registrada no nome do autor. O motivo? Não aceitava ser subordinado de duas mulheres.
Algumas horas depois, no interior de São Paulo, outra mulher foi vítima de misoginia, conduta de ódio, desprezo ou aversão contra mulheres. O influenciador e coach Thiago Schutz, conhecido como Calvo do Campari, foi acusado de atacar a namorada que segundo laudo, teve mais de onze agressões. A justificativa? Na manhã do sábado, na zona norte da capital paulista, mais uma tentativa de feminicídio. Tainara Souza Santos foi atropelada e arrastada pelo seu ex-namorado Douglas Alves da Silva, por mais de um quilômetro.

A doutora em Direito ressaltou uma série de falhas do Estado em proteger a mulher na sociedade brasileira, desde a falta de políticas públicas até o funcionamento do sistema judiciário, que favorece homens agressores. Ela apontou que é fundamental que haja escuta para que os homens também defendam o fim da violência contra as mulheres. A pesquisadora argumentou que eles precisam entendem o que o feminismo busca de fato: a igualdade, para que as mulheres andem pelas cidades sem medo de um estupro ou outro tipo de ataque, assim como fazem os homens.

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