Balanço do Carnaval: Arte-educador Joví Maia fala do papel dos blocos de rua e repressão da PM na periferia
Maia ressaltou a importância dos blocos de rua tradicionais que tanto contribuíram para o reflorescimento da folia na cidade e que o poder público precisa estar atento e apoiar o trabalho desses grupos ao longo do ano todo
Nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, o arte-educador, advogado popular e urbanista, folião do reflorescimento do carnaval de BH desde 2010, Joví Maia, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória.
Neste último fim de semana, BH encerrou uma semana histórica de Carnaval e folia. Segundo estimativas da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte, a Belotur, a capital mineira abrigou cerca de 6 milhões e meio de foliões entre 31 de janeiro e 22 de fevereiro. Já no estado de Minas Gerais, aproximadamente 15 milhões de pessoas curtiram, um aumento de cerca de 14% comparado ao carnaval do ano passado. Sobre a receita, de acordo com o presidente da Belotur, Eduardo Crivanel, um quarto dos ambulantes cadastrados em 2026 estavam desempregados. Ainda segundo o balanço inicial, o faturamento médio desses trabalhadores chegou a R$ 5 mil reais. A expectativa do município é que o faturamento tenha superado 1 bilhão de reais. Esse crescimento financeiro também veio acompanhado de uma expansão dos nomes de destaque no Carnaval deste ano.
Cerca de 19 artistas de renome nacional fizeram parte da folia de Belô, entre eles, Zé Felipe, Xamã, Luísa Sonza, Nattan e especialmente Marina Senna. No bloco “Marinada”, o público foi muito maior que o esperado pelas autoridades, com 400 mil pessoas em torno do Mineirão. Em paralelo a isso, muitos foliões reclamaram de problemas técnicos, sonoros e de dificuldade para acessar locais de vendas de comida e bebida durante o bloco, que ao contrário do planejamento inicial não se deslocou em cortejo e começou com duas horas de atraso. Além das críticas aos megablocos, muitos cortejos locais e tradicionais sofrem pela falta de capital e incentivo para participarem do desfile. Entre eles, não desfilaram, a Alcova Libertina, já pelo segundo ano seguido, Bloco do Bituca e Tamborins Tantãs. No quesito segurança, de acordo com o governo de Minas, não houve nenhum caso de feminicídio nem de estupro de vulnerável nos dias oficiais da folia.
Maia ressaltou a importância dos blocos de rua tradicionais que tanto contribuíram para o reflorescimento da folia na cidade e que o poder público precisa estar atento e apoiar o trabalho desses grupos ao longo do ano todo. Ele cobrou o mesmo empenho que a prefeitura tem mostrado em relação aos megaeventos para os blocos de rua, que fizeram da folia de BH um carnaval de muitas lutas e da diversidade. O convidado também denunciou a ação truculenta da Polícia Militar para dispersar blocos em bairros periféricos.