Crise argentina: Reforma trabalhista é tema de entrevista com o professor da Unila Fernando Romero Wimer
Pesquisador destaca que ,medidas prejudicam os trabalhadores e são parte do plano econômico ultradireitista, mas conta com apoio ao governo
Nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, o doutor em História, com pós-doutorado em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade de Buenos Aires (UBA), professor de graduação e pós-graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e coordenador do curso de Relações Internacionais e Integração da mesma universidade, e do Núcleo de Estudos sobre Natureza e Capital na América Latina e no Caribe (Nunacal), Fernando Romero Wimer, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.
A Argentina vive um momento de grande tensão política. O governo de extrema direita de Javier Milei propôs uma reforma trabalhista que foi aprovada Senado e na Câmara, sob protestos intensos da população. O país passou até por uma greve geral, a quarta durante o mandato de Milei, paralisando trens, portos, aeroportos e o transporte público, após convocação da Confederação Geral do Trabalho, principal central sindical. Entre as mudanças propostas estão a possibilidade de aumentar a jornada de trabalho diária para 12 horas e a retirada das férias, bônus e outros itens no cálculo de indenização por demissão. O projeto aprovado pelo legislativo argentino prevê mudanças nas negociações entre empregador e empregado e coloca restrições até ao direito de greve.
O presidente Milei defende o texto como uma grande modernização das leis trabalhistas e uma estratégia para combater a informalidade, que envolve pelo menos 40% da população trabalhadora, segundo o governo. O projeto já tinha sido aprovado pelo Senado, por 42 votos a 30, no último dia 12, com repressão a manifestantes na Plaza de los Dos Congresos, deixando cerca de 300 pessoas feridas e ao menos 70 detidas. Na Câmara dos Deputados, o projeto passou no dia 19, data em que começou a greve geral. Recentemente, também foi aprovada pelo legislativo a lei que reduz a maioridade penal de 16 para 14 anos, provocando muitas críticas.
O professor destacou que a reforma é parte do plano econômico do governo ultradireitista de abertura do país para o grande capital. A ofensiva precariza as relações trabalhistas e afeta direitos sociais, mas as manifestações e greves ficam cada vez mais complicadas diante da repressão do governo e do posicionamento dos empresários. Para Wimer, essa e outras medidas do governo são legitimadas por uma base de apoio importante que Milei tem entre a população argentina.