Chuvas na Zona da Mata: Precisamos criar cidades mais resilientes, destaca Adriana Pinheiro, do Observatório do Clima
Especialista enfatiza importância do planejamento, pois a mudança climática está posta e já se sabe que as chuvas serão cada vez mais fortes
Nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, a assessora política e de orçamento público do Observatório do Clima, Adriana Pinheiro, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.
Fortes chuvas e deslizamentos de terra deixaram cidades da Zona da Mata devastadas, com mais de 70 mortes e mais de 8.500 pessoas desabrigadas ou desalojadas. Entre as mais afetadas estão Juiz de Fora e Ubá. O primeiro temporal que levou a esse quadro foi registrado no dia 23 de fevereiro. Mais de uma semana depois, com o trabalho de limpeza em andamento, ainda há barro e lama em muitas ruas e pontos de bloqueio em várias vias. Juiz de Fora, que tem previsão de chuva para os próximos dias, o fevereiro mais chuvoso da série histórica iniciada em 1961 pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Foram mais de 750 mm de chuva, mais de quatro vezes a média de fevereiro, que é próxima de 170 mm.
De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o número de deslizamentos contabilizados já alertava que a instabilidade do solo estava cada vez mais recorrente em Juiz de Fora. Além disso, segundo o órgão, o município é o nono do país com mais pessoas vivendo em áreas de risco. Em meio a esse cenário, um levantamento feito por veículos de imprensa a partir do Portal da Transparência mostrou queda de 96% nos investimentos do governo de Minas para combate e prevenção de danos causados pelas mudanças climáticas, entre 2023 e 2025. O governador Romeu Zema defendeu que houve uma “falha na leitura” dos dados. Ele argumentou que os valores foram reclassificados com novas nomenclaturas, o que teria gerado a interpretação de que houve corte. Zema afirmou que os gastos, na verdade, aumentaram 170% na média anual, mas não detalhou as novas nomenclaturas.
A especialista destacou que os estragos dos temporais não podem ser creditados à quantidade de chuva dita acima do esperado, mas à falta de planejamento. Ela argumentou que a mudança climática está posta, cada vez mais chuva e calor, com mais intensidade. Diante disso, é preciso criar cidades mais resilientes, para minimizar os impactos a cada período chuvoso. Pinheiro comentou que se a redução de gastos do governo de Minas se deu por mudanças de nomenclatura, o governador precisa demonstrar. Para ela, uma mudança efetiva do cenário depende da atuação coordenada entre estados, municípios e União.