Cellos-MG celebra 25 anos: “Se tem política pública hoje para as pessoas LGBT+, tem contribuição do Cellos”, defende o coordenador de projetos na instituição, Iuri Guilherme
Coordenador de projetos no Cellos, Iuri Guilherme destaca momentos e nomes importantes nessa trajetória
Nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, o coordenador de projetos no Cellos-MG e coordenador de Comunicação da Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de Belo Horizonte, Iuri Guilherme, conversou com a jornalista Alessandra Dantas, no programa Conexões.
O Cellos-MG, Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual e Identidade de Gênero de Minas Gerais, está completando 25 anos de fundação. São duas décadas e meia de uma trajetória de luta, resistência, combate e também de invenção, travessia e obra coletiva. Em um país e um estado inegavelmente LGBTfóbicos, o Cellos se faz um coletivo extremamente necessário. Segundo dados do relatório anual do Grupo Gay da Bahia, 257 pessoas foram mortas violentamente em 2025. Isso significa que a cada 34 horas uma pessoa pertencente a esse grupo foi assassinada no país.
Uma das grandes conquistas do Cellos-MG é a organização da Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de BH, que é considerada a maior do estado e uma das maiores do país. No ano passado, na vigésima sexta edição, o evento alcançou um público recorde de 350 mil pessoas, sendo considerado o mais seguro para a população LGBT em Minas. Outra conquista do Cellos foi o reconhecimento de suas ações de promoção e defesa dos direitos da população LGBTQIA + pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em audiência pública realizada nessa quinta-feira.
Em meio a tantos desafios de uma realidade violenta com as pessoas que fogem aos padrões de gênero, a luta não é esquecida, mas também há espaço para a celebração e a alegria. No aniversário de 25 anos vai ter festa, hoje a noite, na Estação O Gueto. Também faz parte dessas comemorações o lançamento de um mural com a história da organização, na sede da organização, no Centro de Belo Horizonte. Com a temática “De Todas as Cores”, esse super evento reúne música, dança e apresentações diversas com o objetivo de celebrar todas as pessoas que fizeram e fazem parte da história do Cellos-MG.
Iuri Guilherme destacou a fundação do Cellos, em 2001, e a importância do coletivo ter sido homenageado na Assembléia de Minas nessa quinta, local em que muitas vezes houve desrespeito à comunidade e ataque a direitos. Nessa trajetória de 25 anos, ele ressaltou: “Se tem politica pública hoje para as pessoas LGBT+ no Brasil, tem uma contribuição do Cellos”. O coordenador de projetos também exaltou o papel de nomes como Soraya Menezes, Carlos Magno, Sissy Kelly e Anyky Lima, e concluiu que mesmo com tanta violência direcionada à população LGBT, esses corpos vão viver e vão celebrar.