40 anos de Chernobyl: Os efeitos graves são um alerta para que os Estados ajam com transparência, defende o professor emérito da UFF Daniel Aarão Reis
O docente de História Contemporânea destacou como governos não só soviéticos, mas de outros países, esconderam informações sobre o acidente
Nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, o professor titular aposentado de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF) e professor emérito pela mesma instituição desde 2024, Daniel Aarão Reis, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória.
26 de abril, que caiu nesse domingo, é a data marcada como o Dia Internacional em Memória do Desastre de Chernobyl. Ela foi criada pela Organização das Nações Unidas em 2016, com objetivo de preservar a memória das vítimas e fazer um alerta sobre os perigos da energia nuclear. O acidente completa 40 anos em 2026 e é considerada a maior tragédia nuclear da história, liberando quatrocentas vezes mais material radioativo do que a bomba atômica de Hiroshima. Tudo aconteceu em 26 de abril de 1986, com um teste inadequado de baixa potência no reator número quatro da usina nuclear de Chernobyl, na então União Soviética, em uma região onde hoje fica a Ucrânia, a cerca de 100 quilômetros de Kiev. A falha gerou perda do controle do reator, causando uma explosão e um incêndio que demoliu o prédio e liberou grandes quantidades de radiação na atmosfera, de acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica.
O resultado desse acidente foi a exposição de milhões de pessoas à radiação, tanto na região como em países vizinhos. Cerca de 200 mil pessoas precisaram ser realocadas após o ocorrido. Foram afetados territórios na Bielorrússia, na Ucrânia e na Rússia e em outros países europeus. Segundo a ONU, cerca de 8,4 milhões de pessoas foram expostas à radiação. Até hoje não se sabe ao certo quantas pessoas morreram. O problema causou também a contaminação de biomas e a morte de espécies animais e vegetais. Após o desastre, foi estabelecida uma “zona de exclusão”, uma área que envolve um raio de trinta quilômetros ao redor da usina e é essencialmente desabitada. Autoridades afirmam que os humanos não podem viver na região de forma segura por pelo menos vinte e quatro mil anos. Nos últimos tempos, Chernobyl tornou-se um destino popular para viajantes que desejam explorar locais históricos. Porém, desde o início da invasão russa na Ucrânia, o acesso turístico regular à zona de exclusão foi interrompido.
O professor ressaltou a importância da data. Em primeiro lugar, para lembrar do que aconteceu e para que outro acidente do tipo não se repita, mas também como alerta para que os Estados ajam com base na transparência. Conforme o convidado, isso é fundamental para o exercício da cidadania. Daniel Aarão Reis chamou a atenção para os efeitos da radiação de Chernobyl até hoje e citou outros casos que geram preocupação, como Angra dos Reis, usinas nucleares construídas em áreas próximas a grandes aglomerações humanas.
Produção: Vyctória Alves, sob orientação de Alessandra Dantas e Luíza Glória