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Psicanálise e suicídio na adolescência: Doutora pela UFMG aborda o tema após lançamento de livro

Pesquisa vem a partir da experiência com jovens na clínica; autora alerta para estar atento por onde anda o adolescente na internet

Nesta segunda-feira, 4 de maio de 2026, a psicóloga, psicanalista, mestre e doutora pela UFMG, pesquisadora do PSILACS, Psicanálise e Laço Social no Contemporâneo, e autora de dois livros, dentre eles, “Suicídio na Adolescência: Uma abordagem Psicanalítica”, Carolina Nassau Ribeiro, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.

O sofrimento psíquico entre jovens tem crescido no Brasil, o que pode ser visto em números. Os casos de autolesão na faixa etária de 10 a 24 anos cresceram 29% ao ano no país, entre 2011 e 2022, de acordo com a Fiocruz, Fundação Oswaldo Cruz. Uma pesquisa divulgada recentemente pelo IBGE entrevistou quase 120 mil estudantes em mais de 4 mil escolas públicas e privadas em 2024. Os dados mostram que três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram sentir tristeza sempre ou na maioria das vezes.

Separando por gênero, 41% das meninas fizeram essa afirmativa, enquanto entre os meninos a porcentagem foi de 16,7%. Cerca de 43% delas e 20% deles já tiveram vontade de se machucar de propósito. O nível de satisfação com a própria imagem corporal caiu para todos os estudantes desde a última edição da pesquisa, em 2019, de 66,5% para 58%. A situação é pior entre as alunas. A entrevista aborda o que está por trás do sofrimento mental da juventude, e que, em casos extremos, pode levar ao suicídio.

O cenário é analisado a partir do livro recém-lançado “Suicídio na Adolescência: Uma Abordagem Psicanalítica”, de Carolina Nassau Ribeiro, que passa por casos clínicos reais, conceitos de Freud e Lacan e uma leitura da série 13 Reasons Why, da Netflix. Além de questões próprias da adolescência, é preciso levar em conta a presença constante de elementos como as telas e as redes sociais na vida cotidiana.

A pesquisadora Carolina Nassau Ribeiro explicou a origem do estudo, que foi sua tese de doutorado pela UFMG

A pesquisadora explicou a origem do estudo, que foi sua tese de doutorado, na clínica com os adolescentes. Para a autora, os jovens da geração atual têm dificuldade de expressar o sofrimento em palavras, daí aparecem as autolesões. Ela destacou como característica da adolescência uma busca apressada por maneiras de viver, o que pode levar a caminhos perigosos. No mundo atual, fragmentado e acelerado, os jovens acabam não sendo ouvidos de verdade, o que é a chave para que eles possam lidar com o sofrimento. Como recado para os pais e responsáveis, a psicanalista alerta: “Esteja atento por onde anda seu adolescente na Internet”.

O livro “Suicídio na Adolescência: Uma abordagem Psicanalítica” pode ser encontrado no site da Editora Juruá.  A tese de Carolina Nassau Ribeiro, “Preciso que a vida pare”, pode ser acessada no Reposítorio UFMG

Produção: Vyctória Alves, sob orientação de Alessandra Dantas e Luiza Glória

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