Professoras da Faculdade de Educação UFMG são agraciadas com o Prêmio Anísio Teixeira
Dalila Andrade foi reconhecida na área do ensino superior e Nilma Lino Gomes por suas contribuições na área de ensino básico
Por: Luana Macieira | Portal UFMG
Duas professoras eméritas da UFMG foram agraciadas com o Prêmio Anísio Teixeira: Dalila Andrade Oliveira foi premiada na categoria Educação Superior, e Nilma Lino Gomes na categoria Educação Básica. Ambas são vinculadas à Faculdade de Educação (FaE). Concedido a cada cinco anos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o prêmio reconhece personalidades brasileiras que contribuem de forma relevante para o desenvolvimento institucional da educação e da ciência no Brasil. A cerimônia de entrega está prevista para 1º de julho e deverá ser presidida pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, ou por autoridade por ele designada, em Brasília, durante as comemorações dos 75 anos da Capes.
Dalila Andrade, que é diretora de Cooperação Institucional, Internacional e Inovação do CNPq e coordenadora do INCT Gestrado (Grupo de Estudos sobre Política Educacional e Trabalho Docente), afirma que o prêmio significa o reconhecimento de seu trabalho não só como pesquisadora, gestora e professora, mas também como profissional comprometida com a defesa da educação pública em todos os níveis e para todos.
“Considero esse prêmio o coroamento de uma carreira de mais de 35 anos dedicada à educação. Dedico essa conquista primeiramente à minha família, em especial à minha mãe, que sempre me incentivou muito, às minhas filhas, que sempre estiveram ao meu lado, e aos amigos e colegas do Gestrado, grupo de pesquisa que é a base do meu trabalho.”
Dalila se tornou professora emérita da UFMG em 2023. À ocasião, ela relacionou sua origem trabalhadora e de militante dos movimentos estudantil e sindical à conquista do ensino superior. Ela ingressou na UFMG em 1983 para cursar Ciências Sociais, residiu na antiga moradia Borges da Costa, no campus Saúde, e filiou-se ao Partido dos Trabalhadores logo em seus primórdios. Ela teve sua história marcada pela atuação política, sob inspiração da sociologia de Max Weber.
A professora Nilma Lino Gomes, que se tornou emérita da UFMG em 2019, destacou que receber o Prêmio Anísio Teixeira é uma mistura de emoção e compromisso. Como mulher negra e pesquisadora das relações etnorraciais, ela conta que a conquista do prêmio ultrapassa a dimensão individual. “Eu sempre falo que as premiações de reconhecimento que recebo dizem respeito à minha trajetória construída coletivamente ao lado de tantas pessoas, estudantes, pesquisadoras, pesquisadores e movimentos sociais, que são comprometidos com o combate ao racismo na sociedade e com uma educação democrática, justa, equânime e antirracista.”
A professora, que foi ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos no governo de Dilma Rousseff, afirma que se reconhece como representante de setores que trabalham e discutem “para que se avance cada vez mais na democratização da educação básica e das condições justas para professoras e professores do país. Dedico este prêmio às mulheres negras que vieram antes de mim e que abriram caminhos em condições muito mais difíceis. Em especial, eu dedico [o prêmio] à minha mãe Maria da Glória Lino Gomes, que eu considero o meu farol, e à minha família, aos estudantes, aos colegas de trabalho, negros e não negros, e às juventudes negras que seguem acreditando na educação como direito.”
UFMG como parceira
As duas professoras destacaram a contribuição da UFMG para a conquista do Prêmio Anísio Teixeira. Nilma lembrou o papel da Universidade em sua formação intelectual, acadêmica e humana. “Foi na UFMG que eu iniciei meus estudos nos anos 80, ainda na pedagogia. Tenho muito orgulho de, ao pensar na UFMG, ver o programa de ações afirmativas que eu fundei junto com o professor Luiz Alberto Oliveira Gonçalves. Vejo a Universidade como um espaço fundamental na produção crítica do conhecimento e do fortalecimento do meu compromisso público com a educação, com a igualdade racial e com a democracia”, diz ela.
Dalila também destacou a sua trajetória na UFMG: “Considero esse prêmio o coroamento de uma carreira de mais de 35 anos dedicada à educação. A UFMG é minha casa, entrei nessa instituição como estudante em 1983, quando tinha 18 anos, e nunca mais saí. Tornei-me professora aqui aos 26 anos. A UFMG sempre me acolheu e ofereceu todas as condições necessárias para que eu me desenvolvesse profissionalmente e para que eu pudesse atuar em uma pesquisa comprometida com o direito à educação para todos.”
O Prêmio
Anísio Teixeira é patrono da escola pública no Brasil e foi defensor da democratização do ensino e da transformação social por meio da educação. Trabalhou como secretário de Educação no Rio de Janeiro e na Bahia, atuou como conselheiro da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e participou da criação de universidades federais, como a Universidade de Brasília (UnB). Foi um dos idealizadores da Capes e responsável pela criação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Anísio escreveu diversos livros sobre educação e publicou em revistas especializadas da área.
Fonte
Assessoria de Imprensa da UFMG
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