Conferência de Judith Butler em seminário na UFMG sobre gênero é adiada para 16 de janeiro
Participação da filósofa norte-americana se dará de forma remota
A conferência da filósofa norte-americana Judith Butler no seminário Quem tem medo de gênero, que será realizado de 15 a 17 de janeiro na UFMG, foi transferida para o dia 16, às 18h. Sua participação no evento, que se dará de forma remota, estava inicialmente prevista para a abertura do seminário no dia 15.
O evento é fruto do projeto de residência As políticas contra o gênero e os processos de (des)democratização no Brasil, desenvolvido no âmbito do Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares (Ieat) da UFMG pelos professores Marco Aurélio Máximo Prado, do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), e Marcelo Cattoni de Oliveira, da Faculdade de Direito. Ambos integram o Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBTQIA+
O ponto de partida para a elaboração da programação e para as discussões é justamente o livro Quem tem medo do gênero? (Boitempo Editorial, 2024), de autoria de Judith Butler. Há sete anos, ela foi agredida em uma visita que fez a São Paulo. O episódio compõe, junto com a ascensão de políticas antigênero na atualidade, o pensamento inaugural da obra.
Programação
Desde o início deste século, um grande número de países têm sido palco de ofensivas antigênero, que se sustentam na demonização da ideia de gênero como estratégia para refundar a noção de sociedade tradicional. Em razão da relevância desse fenômeno, pesquisadores de diferentes regiões do mundo se dedicam a compreender sua emergência nos tempos atuais. Alguns deles participarão do seminário na UFMG para discutir o assunto sob os mais diversos ângulos. As atividades ocorrerão no auditório da Reitoria, no campus Pampulha.
A abertura do evento será realizado no dia 15, às 19h, no auditório da Reitoria, com presença da reitora Sandra Regina Goulart Almeida, da diretora do Ieat, Patrícia Kauark, e dos coordenadores da iniciativa, Marco Aurélio Prado e Marcelo Cattoni, e de Sonia Corrêa, do Observatório de Sexualidade e Política (SPW) da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia).
O destaque da atividade inaugural será a intervenção Fazer festa com o perigo, com a Plataforma Beijo, grupo de teatro formado por pessoas trans que homenageia o legado de Cintura Fina, importante personagem LGBT+ que viveu em Belo Horizonte nas décadas de 1950, 1960 e 1970. Na capital mineira, ela foi cozinheira, faxineira, profissional do sexo e gari e se destacou na mídia por sua personalidade combativa e pelo uso da navalha, para se defender de agressões. Cintura Fina dá nome ao Acervo LGBT+ da UFMG, o primeiro institucionalizado por uma universidade brasileira.
Além da conferência de Judith Butler, o seminário terá continuidade nos dias 16 e 17 com mesas-redondas que abordarão as convergências críticas da obra da filósofa norte-americana, o estado das políticas antigênero e as resistências que têm provocado no Brasil e no mundo e os efeitos da política antigênero e a disputa de direitos.
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