Estudo UFMG: com as mudanças climáticas, desmatamento não pode ultrapassar 10% no sul da Amazônia para manter volume de chuvas atual
Estudo de cientistas de diversos países, incluindo o pesquisador Britaldo Soares-Filho, da UFMG, analisa como as mudanças climáticas e o desmatamento podem afetar o regime de chuvas na Amazônia até 2050
Por: Assessoria de Imprensa UFMG
Um estudo com a participação de pesquisadores da China, Austrália, Coreia do Sul, Finlândia e do Brasil, incluindo o professor da UFMG Britaldo Soares Filho, investigou como o desmatamento e as mudanças climáticas, juntos, podem afetar o limiar que levaria à queda no volume de chuvas na região sul da Amazônia, até o ano de 2050. Eles analisaram diferentes cenários e chegaram à conclusão que as alterações no clima deixam o equilíbrio pluviométrico ainda mais vulnerável às mudanças no uso do solo.
Diversos estudos já investigaram, anteriormente, qual seria o limite máximo de desmatamento que a Amazônia suportaria até que seu sistema de regulação de chuvas entrasse em colapso. Entretanto, os fatores que impactam no equilíbrio sensível desse sistema são múltiplos e podem alterar significativamente esse limiar, quando analisados em conjunto.
Considerando apenas o crescimento do desmatamento pela expansão da agricultura, o limite para que não haja mudanças no regime de chuvas seria de 50% de perda de cobertura nativa em áreas de 90 km². Porém, quando entram em cena as alterações do clima, em um cenário de moderadas emissões de carbono, esse limite reduz para 45%. Já em um cenário de altas emissões, o limite de área que poderia ser desmatado seria apenas de 10%.
Quanto às estimativas para queda da pluviosidade, no cenário que leva em conta apenas as mudanças no uso da terra, a redução anual seria de 1,7% até 2050. No cenário de moderadas emissões, a taxa de redução anual no volume de chuvas vai para 13,9%.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores utilizaram um modelo de simulação climática. As análises se detiveram na região sul da Amazônia por ser uma área em que a expansão da fronteira agrícola deve causar o declínio na cobertura florestal de 49%, em 2020, para 39% até 2050, segundo simulações de mudança no uso da terra realizadas na UFMG.
“Os resultados do nosso estudo revelam que as mudanças climáticas devem deixar a Amazônia cada vez mais vulnerável às reduções das chuvas e menos resiliente quanto ao seu sistema terra-atmosfera”, explica Britaldo Soares Filho. “Isso é mais uma prova de que barrar o desmatamento é a melhor saída para salvaguardar tanto os recursos hídricos da região e do país, quanto a produtividade e competitividade da nossa agricultura”, completa.
Fonte
Assessoria de Comunicação do Centro de Sensoriamento Remoto
comunicacao.csr@gmail.com