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Pesquisa e Inovação

Pesquisa da UFMG alerta para o aumento do consumo abusivo de álcool nas capitais do Brasil

Por: Assessoria de Imprensa UFMG

O consumo abusivo de álcool cresceu entre a população adulta brasileira residente nas capitais, sobretudo entre mulheres, pessoas com 12 anos ou mais de escolaridade formal e nos indivíduos de pele branca, parda e negra. Com isso, o país se distancia da meta global de redução do consumo de álcool, que previa um total de 10% a menos até 2030. Essas são evidências levantadas pelo estudo Tendências temporais no consumo abusivo de álcool e suas projeções para 2030 nas capitais brasileiras, coordenado pela professora Deborah Carvalho Malta, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem da UFMG.

O artigo compilou dados de 2006 a 2023 do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Pesquisa Telefônica (Vigitel), e contou com a participação de mais de 800 mil adultos com idade igual ou superior a 18 anos, de todas as capitais brasileiras e do Distrito Federal. O objetivo foi analisar a tendência das proporções do consumo abusivo de álcool na população brasileira ao longo do tempo e, dessa forma, contribuir para o desenvolvimento de políticas e programas de saúde que visam deter o consumo de bebidas alcoólicas. Além disso, o estudo estima projeções de consumo abusivo de álcool até 2030, baseado no monitoramento de anos anteriores.

A professora Deborah explica que o álcool é uma substância tóxica, psicoativa e que pode causar dependência e que o consumo abusivo é caracterizado pela ingestão de cinco ou mais doses para homens e quatro ou mais para mulheres em curto período de tempo. Segundo ela, múltiplos fatores podem estar associados ao uso abusivo dessas substâncias. “Em muitas sociedades, as bebidas alcoólicas são parte frequente das interações sociais, e é fácil ignorar ou desconsiderar os danos sociais e à saúde causados ​​pelo seu consumo. Devemos reconhecer que o consumo de álcool está enraizado em práticas culturais, sociais e econômicas, o que exige abordagens de controle mais integradas e multidimensionais”, afirma.

Resultados

Os dados apontaram que o consumo abusivo de bebidas alcoólicas entre a população residente nas capitais brasileiras saltou de 15,7% em 2006 para 20,8% em 2023. Ao analisar as tendências por sexo, verificou-se um aumento significativo entre as mulheres (de 7,8% em 2006 para 15,2% em 2023) e estabilidade entre os homens (prevalência de 25% em 2006 e 27,3% em 2023). Entre a parcela feminina, houve crescimento em 23 capitais, com maior prevalência registrada nos estados de Mato Grosso do Sul, Bahia e Sergipe.

A pesquisa também mostrou que o consumo abusivo de álcool aumentou em todas as faixas etárias, exceto entre jovens de 18 a 24 anos e adultos de 45 a 54 anos. Entre pessoas com 12 anos ou mais de escolaridade formal, a prevalência subiu de 18,1% para 24%. Também foi observado um aumento entre as raças/cores de pele branca (de 14,7% para 21%), negra (de 18,8% para 23,2%) e mestiça (de 16,1% para 20,3%), e uma diminuição entre asiáticas (de 16,1% para 14,3%).

No que diz respeito às divisões regionais do território brasileiro, houve um aumento na prevalência nas regiões Centro-Oeste (de 15,5% para 23,6%), Nordeste (de 18,4% para 21,4%), Sudeste (de 14,3% para 20,8%) e Sul (de 13,2% para 20,7%).

A professora acrescenta que, de acordo com as metas de Saúde e Bem-estar estabelecidas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), para reduzir o consumo de álcool em 10% entre 2015 e 2030, o Brasil deveria atingir 15,5% para a população total, 22,8% para homens e 9,2% para mulheres ao final do prazo. No entanto, considerando as tendências de 2015 a 2023, o estudo estimou que a projeção para 2030 é de 22,2% (população total), 26,5% (homens) e 19,3% (mulheres).

Ao comentar os resultados, a professora Deborah destaca que a incorporação de estratégias educacionais, comunitárias e intersetoriais, aliadas à regulação, pode aumentar o escopo e a eficácia das políticas públicas. “É necessário fortalecer a restrição ao acesso a bebidas alcoólicas, aumentar a proibição de publicidade, promoção e patrocínio desses produtos, bem como intensificar o monitoramento das ações já implementadas. Somente por meio de respostas integradas, sustentadas e baseadas em evidências será possível reverter essa tendência e promover ambientes mais saudáveis e equitativos para a população”, concluiu.

Além da professora Deborah, o artigo é assinado pelos pesquisadores da UFMG: Crizian Saar Gomes; Regina Tomie Ivata Bernal; Alanna Gomes da Silva; Filipe Malta Santos e Sther Luna Abras dos Santos. Também participaram os pesquisadores Guilherme Augusto Veloso, da Universidade Federal Fluminense; Paulo Ferrinho, da Universidade Nova de Lisboa; e a representante do Ministério da Saúde, Paula Carvalho de Freitas.

Fonte

Assessoria de Comunicação da Escola de Enfermagem da UFMG

comunicacao@enf.ufmg.br

https://www.enf.ufmg.br/