Maria Zilda Cury, da Fale, lança livro sobre as heranças da ditadura na literatura brasileira
Organizado em parceria com professoras da Ufes e do IFRS, volume reúne ensaios sobre textos e filmes que refletem sobre as memórias do recente período autoritário brasileiro
Por Ewerton Martins Ribeiro
Nesta quinta-feira, 13, às 18h30, a professora Maria Zilda Ferreira Cury, da Faculdade de Letras, lança o livro Heranças da ditadura na literatura brasileira contemporânea (Alameda Editorial) em Belo Horizonte. É o primeiro lançamento presencial da obra, que foi tirada do prelo no final de 2024, ocasião da pré-venda pelo site da editora. O lançamento de -agora terá lugar na Livraria Quixote, que fica na rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi.
Organizado em parceria com Fabíola Padilha, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e Cimara Valim de Melo, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), o volume reúne ensaios sobre textos e filmes que trazem “a renovada potência do pensamento crítico brasileiro contemporâneo e sua capacidade de intervir sobre as raízes profundas das memórias da ditadura civil-militar recente do país”, conforme se anota na sinopse da obra.
Na sinopse, anota-se ainda: “Os povos indígenas, as questões de gênero, os testemunhos dos familiares dos sobreviventes, as histórias da repressão militar, as corporeidades femininas e masculinas violadas, os arquivos reparadores são alguns dos elementos que interpelam o repertório simbólico e histórico da produção contemporânea brasileira literária e cinematográfica analisada e que levam o leitor para a futuridade dos caminhos combativos e criativos de luta por verdade e justiça no Brasil.”
De fato, o lançamento ocorre em momento propício: no início do mês, o Brasil ganhou o seu primeiro Oscar justamente em razão de um filme que, adaptado de livro sobre um evento ocorrido durante a ditadura civil-militar brasileira, traz para o cerne do debate questões relacionadas ao trânsito entre política e estética. Ainda estou aqui, filme de Walter Salles que deu a primeira estatueta ao Brasil, é uma adaptação de um livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, obra que se passa no contexto da ditadura.
Denominado Enterrar os corpos, enterrar o legado da ditadura em páginas de literatura, o último ensaio reunido no volume, de autoria de Luciana Paiva Coronel, toca no mesmo tema do filme. Ao todo, o livro Heranças da ditadura na literatura brasileira contemporânea reúne 13 ensaios, que tratam das manifestações artísticas de temas como anistia, resistência, autoritarismo e desaparecimentos na literatura brasileira pós-64.
A autora
Maria Zilda é uma das referências da Faculdade de Letras para a literatura brasileira recente, em particular a de prosa. Além das disciplinas que ministra sobre o tema, ela desenvolveu, de 2020 a 2023, o projeto de pesquisa Vertentes da ficção brasileira contemporânea, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Foram investigados temas como imigração, relação entre os intelectuais e a vida pública, modernismo, relação entre literatura e espaço urbano e entre a ficção brasileira e a ditatura, tema do presente volume.
Também desde 2020, Maria Zilda desenvolve o projeto de pesquisa Poéticas e políticas da memória na literatura contemporânea, que parte especificamente de estudos sobre memória e experiências autoritárias para debater as relações entre estética e política, perspectiva que atravessa o presente volume. A ideia é pôr em evidência situações históricas do passado, “no interesse de uma reflexão sobre seus significados na cultura contemporânea”, como se anota na descrição do projeto de pesquisa, que está em andamento.
Livro: Heranças da ditadura na literatura brasileira contemporânea
Organizadoras: Maria Zilda Ferreira Cury, Fabíola Padilha e Cimara Valim de Melo
Editora: Alameda Editorial
382 páginas | R$ 119
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