1 ano do Memorial Ocupado: Importância de garantir acesso à memória para não naturalizar os crimes da ditadura
Ocupação do prédio do antigo Dops em BH celebra primeiro ano com criação da Associação do Memorial; coordenadores participam do Acesso Livre
Nesta segunda-feira, 6 de abril de 2026, o coordenador adjunto da Associação do Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, Renato Campos Amaral, e a coordenadora geral, Debora Raiza, conversaram com a jornalista e apresentadora Alessandra Dantas, no programa Acesso Livre, diretamente dos estúdios da UFMG Educativa.
Recentemente, a ocupação do antigo prédio do DOPS, Departamento de Ordem Política e Social, no centro de Belo Horizonte, por movimentos sociais completou um ano. Uma conquista histórica porque abriu para a sociedade um memorial que tem como objetivo não esquecer e nem esconder o que foi realizado no local: torturas e mortes de pessoas que resistiam e combatiam à ditadura empresarial militar.
O marco de 12 meses de ocupação ocorreu na última quarta, 1º de abril , mesmo dia em que o golpe de 64 completou 62 anos. Houve uma manifestação e na ocasião foi fundada a Associação do Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, iniciativa que busca fortalecer a gestão popular do espaço e garantir sua continuidade como centro de memória e denúncia.
O prédio foi sede do Dops e também foi utilizado pelo Doi-Codi, órgão de repressão, tortura e eliminação de opositores da ditadura, subordinado ao Exército. Hoje, o espaço conta com atividades para lembrar os horrores da repressão, principalmente para as novas gerações. Nos últimos doze meses, o Memorial Ocupado já recebeu mais de 8 mil pessoas em visitas mediadas, atividades que continuam acontecendo. O movimento político chama a atenção para o cumprimento de um acordo firmado há anos com o poder público, de transformar o prédio oficialmente em Memorial.

“Quando ocupamos o memorial, tivemos um abaixo assinado com mais de mil entidades assinando. Do Brasil inteiro e algumas da América Latina. Isso nos deu muita força para seguir e quando a gente cria a Associação gente cria mais uma trincheira de luta dentro de todas as outras que a gente desenvolveu ao longo desse um ano que é uma organicidade maior inclusive dessas entidades”, ressaltou o coordenador adjunto, Renato Campos Amaral.

A coordenadora geral, Debora Raiza, detalhou a criação da Associação do Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, priorizando a conservação do prédio e três pontos da luta: “Manter o memorial aberto, que ele não feche nunca mais; que seja exclusivamente o memorial e nenhuma outra repartição pública; e que seja instaurada uma comissão paritária com a participação da sociedade civil. Foi um momento de celebração de ter certeza que a luta está muito consolidada e que a gente está com uma parceria consolidada com a sociedade”.

Durante a entrevista, apresentamos também um depoimento da jornalista, escritora, feminista, ativista dos Direitos Humanos e dos direitos das mulheres, diretora da União de Mulheres de São Paulo, militante do Partido Comunista do Brasil durante a ditadura militar, Amelinha Teles. Ela foi presa política e torturada por agentes do regime.