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Acesso Livre: “Racismo e machismo andam de mãos dadas”, destaca coordenadora do Nzinga, Benilda Brito, em meio a explosão de feminicídios no país

Mulher negra, lésbica e quilombola, Benilda Brito destaca luta do Dia Internacional da Mulher, 8 de março

Nesta segunda-feira, 9 de março de 2026, a mulher negra, lésbica,  quilombola do Quilombo do Açude, na Serra do Cipó, de Axé, no Camdomblé de Ketu, 50+, coordenadora do Nzinga Coletivo de Mulheres Negras de Minas e ex-coordenadora do Benvinda, Centro de Apoio a Mulher da Prefeitura de Belo Horizonte na gestão de Patrus Ananias, na década de 90, Benilda Brito, conversou com a jornalista e apresentadora Alessandra Dantas, no programa Acesso Livre.

O Brasil vive uma explosão de feminicídios. Em 2025, houve o maior número de registros desse tipo de crime da série histórica iniciada em 2015. Foram 1.568 mulheres assassinadas por razões de gênero. 

As mulheres negras, mortas principalmente dentro de casa por companheiros ou conhecidos, representavam 62,6% das vítimas dos mais de 5 mil e 700 feminicídios ocorridos entre 2021 e 2024. Assim contabilizou a pesquisa Retrato dos Feminicídios no Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Parte dessa engrenagem funciona dentro das plataformas digitais, que lucram muito com a misoginia e discursos de ódio. 

Nesse domingo, 8 de março, centenas de mulheres ocuparam a Praça Raul Soares, na Região Centro-Sul de BH para marcar o Dia Internacional de Luta das Mulheres com um protesto em defesa da vida das mulheres, contra o avanço da violência de gênero e também convocando os homens para se responsabilizarem e somarem nesta luta.

Benilda Brito destacou a origem histórica da violência e a banalização do corpo da mulher preta, tratada muitas vezes como não humana. Ela ressaltou que a prevalência das agressões contra mulheres negras vem desde a época em que coordenou o Benvinda, Centro de Apoio a Mulher da Prefeitura de Belo Horizonte, nos anos 90, o que mostra que racismo e machismo andam de mãos dadas. A coordenadora do Nzinga lembrou que BH foi a primeira capital a coletar o quesito cor nos Boletins de Ocorrência, além de detalhar as marcas da violência: ela tira a autonomia, o direito de seguir com a própria vida.

 

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