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Ameaça golpista constante no Brasil é tema de novo livro do professor da UFMG Rodrigo Patto Sá Motta

Docente do Departamento de História analisa golpes e tentativas ao longo da História e relembra: “Brasil nunca teve um governo comunista”

Nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, o professor do Departamento de História da UFMG Rodrigo Patto Sá Motta conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.

Ataques à democracia, golpes, tentativas de golpe, ditaduras, tudo isso faz parte da História brasileira, de modo muito marcante. Novas análises sobre esses temas são apresentadas em livro que vai ser lançado hoje, aqui na UFMG. No olho do furacão: estudos de história política, do professor do Departamento de História Rodrigo Patto Sá Motta, reúne textos inéditos ou que só tinham sido publicados em língua estrangeira sobre temas como autoritarismo, cultura política, anticomunismo, historiografia, extrema direita e o lugar ocupado pelos historiadores no cenário recente. O professor é especialista em história do Brasil República e em história contemporânea, e atua principalmente no campo da história política.

Além da pesquisa histórica, ele utiliza conceitos da ciência política e da antropologia para discutir fenômenos como o imaginário político e a modernização conservadora. Para compor a obra, o professor selecionou textos que pudessem contribuir para o entendimento de grandes dilemas, com artigos que analisam a ameaça persistente de golpes militares no Brasil, as campanhas autoritárias que marcaram o país desde o início do século vinte até os eventos mais recentes, como o 8 de janeiro de 2023, o papel político da imprensa e a atuação a polícia política. O livro foi lançado nessa segunda, 11, no Centro de Atividades Didáticas (CAD 2).

No último dia 8, veio à tona uma revelação importante da nossa história que demorou 50 anos. A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos concluiu que a morte do presidente do Brasil de 1956 a 1961, Juscelino Kubitschek, teria sido resultado de um assassinato planejado pela ditadura militar, em 1976, e não de um acidente de carro, como diz a versão oficial.

O convidado explicou que a obra aborda vários elementos que são acionados por esse espírito de ruptura democrática. Como ressaltou o professor, um deles é o medo do comunismo, mesmo que seja uma corrente que sempre foi minoritária no território nacional e que o país nunca tenha tido um governo com essa característica. Rodrigo Patto também destacou como última tentativa de golpe a do 8 de janeiro de 2023, alertando que quem defende os acontecimentos desse dia como um episódio que deve ser esquecido e perdoado está trazendo um grande risco nessas eleições. O professor também comentou a revelação de que a morte de JK teria sido provocada pela ditadura. Ele falou que o anúncio é muito importante, mas recomendou cuidado ao afirmar que houve armação, uma vez que não há prova cabal.

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