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Centenário de Milton Santos: Um dos nossos maiores cientistas, trouxe a Geografia a partir do 3º mundo, define a mestra pela UFMG Jéssica dos Santos

Pesquisadora destaca visão crítica, de onde veio e por onde andou o geógrafo baiano que faria 100 anos no dia 3 de maio

Nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, a bacharela em Geografia pela PUC Minas, com especialização em Direito, Desigualdade e Governança Climática pela Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFMG, ex-pesquisadora do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e atualmente vinculada ao Trabalho de Assessoria técnica Independente, acompanhando as ações relacionadas a desastres-crimes socioambientais da Mineração no Estado de Minas Gerais, Jéssica dos Santos, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.

Nascido em 3 de maio de 1926, em Brotas de Macaúbas, interior da Bahia, Milton Santos completaria 100 anos em 2026, no último domingo. Considerado um dos maiores pensadores brasileiros do século 20, o geógrafo recebeu o prêmio internacional Vautrin Lud, considerado o Nobel da área, em 1994, sendo até hoje o único latino-americano a recebê-lo. Formou-se em Direito em 1948 pela Universidade Federal da Bahia, mas nunca atuou na área, decidindo ser professor de geografia no ensino médio em Ilhéus. Santos concluiu o doutorado em geografia em 1958 na Universidade de Estrasburgo, na França. Também foi jornalista do jornal A Tarde, professor universitário, diretor da Imprensa Oficial da Bahia e ocupou cargos relevantes no planejamento econômico do estado.

Crédito: Acervo IEB/USP

Foi perseguido pela ditadura militar e, embora não tenha sido formalmente exilado, viveu fora do país nesse período, o que internacionalizou seu trabalho e sua pesquisa. Ele morou e lecionou em países como França, Estados Unidos e Tanzânia. Como um homem negro, neto de ex-escravizados, Milton Santos é referência fundamental, apresentando reflexões sobre a globalização como motor da desigualdade, além de trazer uma outra compreensão do Brasil, a partir da divisão do território em 4 regiões, por exemplo. Ele também desenvolveu a teoria de dois circuitos de produção, distribuição e consumo dos bens e serviços na sociedade urbana.

A pesquisadora ressalta o legado de Santos como seu olhar crítico, que traz para o campo de estudo uma visão do Brasil a partir de suas contradições, em oposição a uma leitura tecnicista que predominava na Geografia antes dele. A mestra pela UFMG também chamou a atenção para a maneira como o pensador analisava a globalização, com um avanço tecnológico muito importante para conectar o mundo, mas não acessível a todos, aprofundando desigualdades de maneira brutal. Para além do reconhecimento acadêmico, Jéssica dos Santos acredita que o pensador merecia ser mais popularizado, ser mais ensinado na escola, para que todo o país tivesse noção de sua grandeza.

Produção: Ingrid Mendonça, sob orientação de Alessandra Dantas e Luíza Glória

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