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Conflito EUA x Irã: “É uma guerra política”, explica o professor da PUC Minas Danny Zahreddine

Com os ataques, o aiatolá Ali Khamenei foi morto e as tensões se espalham pelo Oriente Médio

Nesta terça-feira 3 de março de 2026, o professor do Departamento de Relações Internacionais e do programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da PUC Minas e líder do grupo de pesquisa Oriente Médio e Magreb, Danny Zahreddine, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.

O Irã volta a ser atacado pelos Estados Unidos e Israel meses depois da Guerra dos 12 Dias, ocorrida em junho de 2025. Inicialmente, foi atingida uma escola feminina em Teerã, deixando mais de 170 pessoas mortas, a maioria crianças. Segundo o Crescente Vermelho, braço da Cruz Vermelha que atua no Oriente Médio, o ataque ao Irã deixou ao menos 787 mortos. O número é maior, pois o novo balanço foi divulgado hoje, no 4º dia da guerra entre EUA, Israel e Irã, e apenas algumas horas após o início de novos bombardeios israelenses contra a capital Teerã.

O governo estadunidense destacou como trunfo da ofensiva o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, no poder há quase 40 anos, juntamente com outras lideranças importantes do país. Depois de uma negativa inicial, a morte do aiatolá foi confirmada pela TV estatal iraniana. As forças norte-americanas atacaram quando havia uma negociação em andamento a respeito do programa nuclear do Irã, que revidou atingindo não só o território israelense e militares americanos, mas também alvos nos Emirados Árabes, como Dubai e Abu Dhabi, no Catar, no Bahrein, no Kuwait, em Omã, no Iraque e na Jordânia.

Outra medida foi o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais fundamentais do comércio internacional, por onde circula cerca de um quinto do gás e petróleo do planeta. Na noite do domingo, o grupo paramilitar xiita libanês apoiado pelo Irã Hezbollah disparou mísseis contra a cidade israelense de Haifa, abrindo outra frente de guerra. Israel respondeu com ataques contra alvos do grupo no Líbano. Os EUA informaram que seis de seus militares foram mortos, e Trump prometeu “vingá-los”.

Na análise do professor, a justificativa dos Estados Unidos de atacar o Irã por conta do programa nuclear é mentirosa, uma vez que os próprios bombardeios de 2025 teriam neutralizado essa ameaça. Ele ressaltou que não é uma guerra de necessidade, mas motivada pelo desejo de hegemonia de Israel no Oriente Médio. Zahreddine comentou, ainda, que Trump usa a o conflito para desviar o foco do cenário interno estadunidense, onde enfrenta problemas. O conflito se expandiu na região e os rumos ainda são imprevisíveis.

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