Copasa: Professor da UFMG Léo Heller destaca problemas da privatização, prestes a ser aprovada
Para o especialista, se a venda da companhia for aprovada, será necessário que a sociedade vigie de perto, buscando uma “redução de danos”
Nesta segunda-feira, 15 de dezembro de 2025, o professor titular aposentado da UFMG, onde atualmente atua como voluntário, pesquisador da Fiocruz Minas e relator especial da ONU para os Direitos Humanos à Água e ao Esgotamento Sanitário no período de de 2014 a 2020, Léo Heller, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.
O Projeto de Lei que tem como objetivo privatizar a Copasa pode ir ao plenário da Assembleia Legislativa mineira nesta semana para a votação definitiva. Essa seria a próxima etapa, depois da aprovação em primeiro turno na última terça, dia 2, por 50 votos favoráveis a 17 contrários. O PL 4.380/2025, prevê que o estado, hoje detentor de 50,03% das ações, deixe de controlar a empresa, mantendo apenas uma ação preferencial com poder de veto. Essa medida, é uma das prioridades do governo de Romeu Zema desde o primeiro mandato, afirmando que a desestatização é necessária para atrair investimentos, modernizar a empresa e ajudar a reduzir a dívida estadual, estimada em 181 bilhões. Outra vitória para o governo, foi a aprovação da proposta apelidada de PEC do Cala a Boca, no mês passado, que retirou da Constituição estadual a exigência de referendo popular para autorizar a venda da estatal.
Com a mudança, a alienação do controle acionário passou a depender apenas de maioria parlamentar. Desde que o assunto veio à público, deputados da oposição, especialistas, trabalhadores da Copasa e também movimentos populares se levantaram contra o projeto, argumentando que a decisão pode aumentar as tarifas das contas de água, nascentes estariam em risco pela mineração, além da possibilidade de negligenciar o acesso à água e saneamento básico. Criada em 1963, a Copasa é responsável pelo abastecimento de água e saneamento em mais de SEISCENTOS E TRINTA municípios mineiros, atendendo cerca de onze milhões e meio de pessoas, mais da metade da população do estado. A cobertura de água ultrapassa 99% e a de esgoto chega a 75%, índices superiores ao exigido pelo Novo Marco do Saneamento. A Copasa também está presente em todas as vinte e cinco cidades com menor IDH em Minas, ajudando a corrigir desigualdades.
Após a entrevista, veiculamos a participação especial da Deputada Estadual Bella Gonçalves. Ela também destacou as consequências da privatização da companhia de água de Minas, como a proposta avançou na Assembleia e a luta para tentar impedir que a Copasa passe para a iniciativa privada.