Dia do Trabalhador e da Trabalhadora: “Direito é luta”, lembra professora da UFMG Adriana De Sena Orsini
Na véspera do 1º de maio, professora da Faculdade de Direito aborda precarização do trabalho, escala 6x1 e questões de gênero nesse cenário
Nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, a Professora Titular de Direito do Trabalho e Processo do Trabalho da UFMG, coordenadora de projetos sobre acesso à justiça no Programa de Pós-Graduação em Direito da UFMG (PPGD) e desembargadora do TRT-3, Adriana de Sena Orsini, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.
O 1º de maio é um feriado muito importante para os brasileiros e brasileiras. Há mais de cem anos, este é o Dia do Trabalhador e, cada vez mais, da Trabalhadora. Essa distinção não é de graça, uma vez que reconhece a necessidade de não deixar de fora das reivindicações a realidade da mulher no mercado de trabalho em um país que tem mais da metade dos lares chefiados por elas e que ainda convive com a desigualdade de salário e de condições de trabalho. Outro ponto fundamental é que o dia não é do Trabalho. Se há uma celebração, ela se relaciona à luta da classe trabalhadora por melhores condições laborais, e não do trabalho por si só, que não é o sentido da vida.
Essa é a base de uma das principais reivindicações neste primeiro de maio: a vida além do trabalho, o fim da escala 6 por 1. A pauta tem avançado entre a sociedade civil e também no Congresso Nacional, onde tramitam duas Propostas de Emenda à Constituição sobre o tema. Isso acontece num contexto de precarização nas relações de trabalho, que vem se intensificando desde a reforma de 2017, passando pela pandemia da covid-19 e a chamada uberização do trabalho.
A professora abordou a importância das questões da mulher no mercado de trabalho, inclusive considerando o trabalho de cuidado e novas formas de parentalidade. Ela ressaltou o papel da CLT e detalhou os prejuízos de tratar os profissionais com vínculo empregatício como empreendedores, como no caso dos entregadores por aplicativos, uma vez que estão subordinados às empresas, mas sem direitos trabalhistas garantidos. Sobre o fim da escala 6×1, além de exaltar a função da mobilização, ela comentou o posicionamento dos trabalhadores que defendem o descanso remunerado de apenas um dia, se aliando ao algoz.
Produção: Vyctória Alves, sob orientação de Alessandra Dantas e Luíza Glória