Eleição de Kast é preocupante para o Chile e a região, analisa professor da Unila Fábio Borges
Pesquisador realça que só vai dar para saber como vai ser o governo depois da posse, mas é lamentável a vitória de um admirador de Pinochet
Nesta quarta-feira, 17 de dezembro de 2025, o diretor do Instituto Latino-americano de Economia, Sociedade e Política da Universidade Federal da Integração Latino-americana (Unila), professor Fábio Borges, conversou com o jornalista e apresentador Hugo Rafael, no programa Conexões.
O candidato da extrema direita José Antonio Kast venceu as eleições com folga, superando a candidata do governo atual. A população foi às urnas no último domingo, no primeiro pleito com voto obrigatório após a volta da democracia. Kast teve 58% dos votos contra cerca de 41% de Jeannette Jara. A oponente reconheceu a derrota e declarou que a democracia falou alto e claro e também desejou sucesso ao presidente eleito e o bem do Chile. A disputa polarizada colocou duas visões opostas do país em confronto. Jara, ex-ministra do Trabalho do governo Boric, chegou ao segundo turno após vencer o primeiro, com uma campanha centrada em maior acesso a programas de proteção social e medidas para lidar com as questões de imigração e segurança, sem recorrer à militarização.
Já José Kast, fundador do Partido Republicano, concorreu à presidência pela terceira vez e apresentou uma plataforma de “linha dura” contra o crime, focada no combate à imigração ilegal, além de defender a construção de presídios de segurança máxima e cortes nos gastos públicos. Entre as suas propostas também está a revogação dos direitos limitados ao aborto no Chile e a proibição da venda da pílula do dia seguinte, temas em que ele não insistiu nessa eleição, mas afirmou não ter mudado de opinião. Nas comemorações pela vitória, foram vistas entre os apoiadores de Kast fotos e bandeiras com o rosto do ex-ditador Augusto Pinochet, de quem o político é admirador. Pinochet assumiu o poder entre 1973 e 1990. Pelo menos 3.200 pessoas foram mortas ou desaparecidas no período. Documentos oficiais registram, ainda, que mais de 40 mil pessoas foram vítimas da ditadura, o que inclui torturados, mortos e desaparecidos.
O professor destacou que o resultado é preocupante e lamentável para o Chile e a América Latina. Para ele, a vitória de José Antonio Kast para presidente mostra a maioria da população apoiando democraticamente a ditadura, uma vez que o candidato é admirador do ex-ditador Augusto Pinochet. Ele ressaltou as falhas do governo Boric, que tentou mudar a Constituição no início do mandato, não conseguiu e se enfraqueceu. Borges analisou como positivo o discurso mais moderado de Kast após o resultado, mas só vai ser possível ver para que lado o governo vai depois da posse.