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Transição energética: Primeiro encontro internacional sobre o tema é resultado direto da COP 30, no Brasil, destaca assessor do Inesc

Cássio Carvalho, do Instituto de Estudos Socioeconômicos, participou diretamente da Colômbia, onde é realizado o evento

Nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, o assessor político do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Cássio Carvalho, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.

A transição energética como alternativa real ao uso de combustíveis fósseis tem sido um dos grandes debates da atualidade. Esse tema já esteve até na COP, Conferência da ONU para Mudanças Climáticas, mas não avançou de fato. Desde sexta passada, mais de 50 países se reúnem em Santa Marta, na Colômbia, para a Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis. A iniciativa busca o fim do uso de forma gradual. Por ser realizado fora do sistema das Nações Unidas, o encontro não exige unanimidade e não produz decisões vinculantes, mas também não pode ser travado por um único país. Na COP28, em Dubai em 2023, os países conseguiram incluir pela primeira vez em um documento oficial da ONU a linguagem sobre transição para longe dos combustíveis fósseis. Isso foi considerado um avanço histórico. Mas na COP30, em Belém, em novembro passado, o texto final da conferência não trouxe nenhuma menção explícita ao tema, apesar de mais de 80 países terem defendido isso nas negociações.

O resultado é que os combustíveis fósseis ainda respondem por 80% das emissões globais de carbono, e as emissões voltaram a bater recorde em 2025. Está no horizonte que os possíveis resultados positivos de Santa Marta façam parte da elaboração de um mapa do caminho global para a transição dos combustíveis fósseis, com entrega prevista até a COP31, marcada para novembro deste ano em Antália, na Turquia.  O documento está sob responsabilidade do Brasil, que é o atual presidente da COP. Considerada uma das principais lideranças climáticas, o Brasil ainda oferece um impulso significativo aos combustíveis fósseis. 

De acordo com dados do Inesc, Instituto de Estudos Socioeconômicos, mais que o dobro dos recursos públicos é destinado a esse tipo de energia em comparação aos investimentos nas fontes renováveis: são dois reais e cinquenta e dois centavos para fósseis a cada um real para fontes limpas. É notável a ausência dos maiores produtores mundiais de combustíveis fósseis, como Estados Unidos, China, Arábia Saudita e Rússia. Se por um lado é desses governos que vem as travas para que as negociações na ONU não avancem, é sem envolvê-los nesse momento que os países podem propor uma maneira de abandonar os fósseis.

Carvalho destacou o papel fundamental do Brasil, atualmente na presidência da COP, para que a 1ª Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis fosse realizada. Ainda que a organização seja da Holanda e da Colômbia, que sedia o evento, nosso país teve protagonismo ao colocar o tema na mesa na última COP, em Belém do Pará. O especialista ressaltou toda a complexidade do quadro e as projeções internacionais de que o mundo terá uma curva ascendente na dependência de combustíveis fósseis ainda no início da próxima década, mas que a conferência em Santa Marta é um primeiro movimento para que os países tracem metas e levem o debate à COP para também incluir os países que mais usam fósseis, como Estados Unidos, China, Rússia e Arábia Saudita.

Produção: Vyctória Alves, sob orientação de Alessandra Dantas e Luíza Glória

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