{"id":15392,"date":"2025-12-16T11:55:48","date_gmt":"2025-12-16T14:55:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufmg.br\/?post_type=news&#038;p=15392"},"modified":"2025-12-16T14:40:12","modified_gmt":"2025-12-16T17:40:12","slug":"estudo-da-ufmg-revela-os-segredos-das-plantas-que-sobrevivem-ao-solo-extremo-da-canga","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/comunicacao\/noticias\/meio-ambiente\/estudo-da-ufmg-revela-os-segredos-das-plantas-que-sobrevivem-ao-solo-extremo-da-canga\/","title":{"rendered":"Estudo da UFMG revela os segredos das plantas que sobrevivem ao solo extremo da canga"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhecida por suas riquezas minerais, a Serra do Espinha\u00e7o \u2013 que se estende de Minas Gerais \u00e0 Bahia \u2013 abriga um dos ambientes mais antigos e in\u00f3spitos do Brasil: as forma\u00e7\u00f5es ferr\u00edferas conhecidas como cangas. Em meio a solo raso, calor intenso e escassez de nutrientes, a vegeta\u00e7\u00e3o precisou desenvolver estrat\u00e9gias para sobreviver. Novo estudo, realizado por pesquisadores do Centro de Conhecimento em Biodiversidade do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT), sediado na UFMG, mostra que, mesmo nesse cen\u00e1rio quase extraterrestre, pequenas diferen\u00e7as no solo determinam quais esp\u00e9cies prosperam e como elas vencem os estresses di\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/jvs.70092\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/jvs.70092\">Publicado no Journal of Vegetation Science<\/a>, o trabalho revela que cada trecho de canga funciona como um ambiente \u00fanico. Em \u00e1reas onde o solo ret\u00e9m um pouco mais de \u00e1gua, surgem plantas maiores, que conseguem competir melhor pelos recursos. Nos locais mais secos e pedregosos, sobrevivem apenas esp\u00e9cies altamente resistentes, de crescimento lento e estruturas bem refor\u00e7adas, verdadeiras especialistas da resili\u00eancia. Essa combina\u00e7\u00e3o de plantas moldadas pelo solo cria um mosaico ecol\u00f3gico raro, que ajuda a explicar por que a canga concentra tantas esp\u00e9cies exclusivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa, financiada pela Anglo American Brasil, analisou esp\u00e9cies mais comuns em tr\u00eas tipos de habitats t\u00edpicos desse ecossistema: os campos ferruginosos, as lagoas tempor\u00e1rias e os ambientes dominados pelas candeias, uma vegeta\u00e7\u00e3o mais alta e sombreada. Cada ambiente abriga um conjunto pr\u00f3prio de plantas e estrat\u00e9gias de vida. O candeal, por exemplo, apesar de visualmente mais exuberante, mostrou-se menos diverso, enquanto as \u00e1reas abertas carregam maior variedade de formas de vida e adapta\u00e7\u00f5es extremas ao ambiente. Para os pesquisadores, isso refor\u00e7a que a canga n\u00e3o \u00e9 um bloco uniforme, mas formado por microambientes altamente especializados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Impacto da minera\u00e7\u00e3o na biodiversidade<br><\/strong>Essas descobertas t\u00eam implica\u00e7\u00f5es diretas para a conserva\u00e7\u00e3o e a restaura\u00e7\u00e3o. Em ecossistemas t\u00e3o fr\u00e1geis, qualquer altera\u00e7\u00e3o no solo, seja por obras, minera\u00e7\u00e3o, ou eros\u00e3o, pode mudar profundamente quais esp\u00e9cies conseguem se estabelecer ali. Como muitas plantas da canga crescem muito lentamente e dependem de condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, restaurar \u00e1reas degradadas exige compreender essas diferen\u00e7as locais. Os autores alertam que usar as mesmas esp\u00e9cies em todos os trechos compromete a recupera\u00e7\u00e3o e empobrece ainda mais a biodiversidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas refor\u00e7am que preservar o solo da canga \u00e9 preservar sua pr\u00f3pria identidade ecol\u00f3gica. Esse ecossistema, que levou milh\u00f5es de anos para se formar, depende de um equil\u00edbrio fino entre solo, \u00e1gua e esp\u00e9cies altamente adaptadas. De acordo com o estudo, a vida na canga \u00e9 t\u00e3o resiliente quanto fr\u00e1gil e que compreender suas estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia \u00e9 fundamental para proteger um dos ambientes mais singulares do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Decifrar os detalhes que sustentam a combina\u00e7\u00e3o de fragilidade e resili\u00eancia acumulada ao longo de milh\u00f5es de anos \u00e9 essencial para desenvolver estrat\u00e9gias de restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica realmente eficazes. Esse conhecimento possibilita n\u00e3o apenas integrar de forma respons\u00e1vel as \u00e1reas restauradas \u00e0s regi\u00f5es naturais adjacentes n\u00e3o impactadas pela minera\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m fortalecer a conserva\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o. Trata-se de um passo decisivo para consolidar uma minera\u00e7\u00e3o alinhada \u00e0s demandas ambientais e sociais da sociedade contempor\u00e2nea.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":15397,"template":"","class_list":["post-15392","news","type-news","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/news\/15392","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15397"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15392"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}