{"id":20323,"date":"2026-04-30T13:26:05","date_gmt":"2026-04-30T16:26:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufmg.br\/?post_type=news&#038;p=20323"},"modified":"2026-05-05T11:18:05","modified_gmt":"2026-05-05T14:18:05","slug":"pesquisa-identifica-ciclo-de-retroalimentacao-entre-os-rins-e-a-microbiota-intestinal-que-acelera-a-doenca-renal-cronica","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/comunicacao\/noticias\/pesquisa-e-inovacao\/pesquisa-identifica-ciclo-de-retroalimentacao-entre-os-rins-e-a-microbiota-intestinal-que-acelera-a-doenca-renal-cronica\/","title":{"rendered":"Ciclo de retroalimenta\u00e7\u00e3o entre os rins e a microbiota intestinal acelera a doen\u00e7a renal cr\u00f4nica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma engrenagem que conecta o metabolismo humano ao comportamento de bact\u00e9rias intestinais acaba de ser desvendada em estudo do qual participaram pesquisadores da UFMG. A pesquisa <em><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.ady5217\">Host- derived nitrate fuels indole production by Escherichia coli to drive chronic kidney disease progression<\/a><\/em>, publicada na revista <em>Science<\/em>, mostrou que o ac\u00famulo de toxinas ur\u00eamicas no sangue \u2013 decorrente da falha na filtragem pelos rins \u2013 altera quimicamente o ambiente do c\u00f3lon (a parte mais longa do intestino), produzindo nitrato. Esse composto atua como &#8220;combust\u00edvel&#8221; para o crescimento de bact\u00e9rias como a <em>Escherichia coli<\/em>, que respondem produzindo ainda mais toxinas, gerando um ciclo de retroalimenta\u00e7\u00e3o que acelera a progress\u00e3o da doen\u00e7a renal cr\u00f4nica (DRC).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para investigar essa din\u00e2mica, os pesquisadores utilizaram um modelo de DRC induzida em camundongos por meio de dieta com adi\u00e7\u00e3o de adenina, composto que causa a forma\u00e7\u00e3o de cristais tubulointersticiais e les\u00e3o renal. &#8220;A DRC acontece quando o rim vai perdendo a capacidade de funcionar. Assim, esse \u00f3rg\u00e3o deixa de eliminar algumas toxinas, que acabam se acumulando no sangue e tamb\u00e9m afetam o intestino&#8221;, explica a professora da Escola de Veterin\u00e1ria Thaynara Parente de Carvalho, uma das autoras do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados demonstram que essa falha sist\u00eamica n\u00e3o \u00e9 um evento isolado, mas o gatilho para uma desordem ecol\u00f3gica profunda. &#8220;Algumas bact\u00e9rias que vivem naturalmente no nosso intestino, como a <em>Escherichia coli<\/em>, produzem o indol, subst\u00e2ncia precursora do indoxil sulfato, toxina associada \u00e0 progress\u00e3o da doen\u00e7a renal. Quanto mais toxina se acumula, mais o ambiente favorece essas bact\u00e9rias \u2013 e quanto mais essas bact\u00e9rias crescem, mais toxinas s\u00e3o produzidas&#8221;, descreve a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta desse mecanismo rompe com a vis\u00e3o tradicional de que a microbiota e os rins operam de forma independente. \u201cExiste uma intera\u00e7\u00e3o din\u00e2mica \u2013 uma mudan\u00e7a no organismo desencadeia respostas diretas na microbiota, com consequ\u00eancias em cascata. Isso muda a forma de pensar o tratamento: em vez de agir s\u00f3 nos sintomas ou na fase avan\u00e7ada da doen\u00e7a, abre-se a possibilidade de bloquear esse ciclo mais cedo, atuando tanto nas bact\u00e9rias quanto no ambiente do organismo&#8221;, detalha Thaynara Parente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por d\u00e9cadas, a abordagem terap\u00eautica para a DRC concentrou-se majoritariamente em interven\u00e7\u00f5es diet\u00e9ticas, como o controle rigoroso da ingest\u00e3o de prote\u00ednas para reduzir a mat\u00e9ria-prima das toxinas. No entanto, de acordo com Thaynara, a dieta isolada pode ser insuficiente, j\u00e1 que o pr\u00f3prio organismo doente, ao desencadear uma resposta inflamat\u00f3ria que altera a qu\u00edmica do intestino, \u00e9 quem favorece o crescimento da&nbsp;<em>Escherichia coli<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Inova\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica<\/strong><br>Como aponta o estudo, a falha na excre\u00e7\u00e3o do indoxil sulfato resulta na inflama\u00e7\u00e3o da mucosa intestinal. Essa inflama\u00e7\u00e3o eleva a concentra\u00e7\u00e3o da enzima iNOS [<em>sigla para \u00f3xido n\u00edtrico sintase induz\u00edvel<\/em>], o que gera aumento dr\u00e1stico dos n\u00edveis de nitrato no intestino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEm um intestino saud\u00e1vel, a aus\u00eancia de oxig\u00eanio e nitrato mant\u00e9m as popula\u00e7\u00f5es bacterianas sob controle. O ambiente ur\u00eamico, no entanto, \u00e9 terreno f\u00e9rtil para a <em>Escherichia coli<\/em>, que se prolifera de forma acelerada gra\u00e7as \u00e0 respira\u00e7\u00e3o de nitrato, um processo metab\u00f3lico\u201d, detalha a coautora da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Thaynara Parente, o achado abre perspectiva promissora para o monitoramento cl\u00ednico. Ao identificar o nitrato como o &#8220;combust\u00edvel&#8221; que alimenta a progress\u00e3o da DRC, o estudo indica que o acompanhamento dos n\u00edveis dessa subst\u00e2ncia ou da inflama\u00e7\u00e3o intestinal pode atuar como marcador precoce para prever a gravidade da doen\u00e7a. \u201cEntender como o organismo alimenta esse ciclo viabiliza novos instrumentos para interromper a comunica\u00e7\u00e3o entre o corpo e as bact\u00e9rias antes que os danos renais se tornem irrevers\u00edveis\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"medium\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/app\/uploads\/2026\/04\/Senado-Federal-Wikimedia-Commons-640x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"Paciente em tratamento de hemodi\u00e1lise: o fortalecimento da ci\u00eancia b\u00e1sica sobre a microbiota \u00e9 estrat\u00e9gico para reduzir o fardo econ\u00f4mico dos sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Paciente em tratamento de hemodi\u00e1lise: fortalecimento da ci\u00eancia b\u00e1sica sobre a microbiota \u00e9 estrat\u00e9gico para reduzir o fardo econ\u00f4mico dos sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tPaciente em tratamento de hemodi\u00e1lise: fortalecimento da ci\u00eancia b\u00e1sica sobre a microbiota \u00e9 estrat\u00e9gico para reduzir o fardo econ\u00f4mico dos sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tSenado Federal | Wikimedia Commons\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sofistica\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica<\/strong><strong><br><\/strong>A pesquisa utilizou modelos de camundongos <em>germ-free<\/em> (completamente livres de microrganismos), ferramenta que possibilitou observar como o intestino se comporta sem qualquer influ\u00eancia pr\u00e9via de bact\u00e9rias. Ao combinar esses animais com uma dieta indutora de les\u00e3o renal, foi poss\u00edvel distinguir o que era causado pela ingest\u00e3o de alimentos daquilo que era fruto da atividade do pr\u00f3prio microbioma. A interrup\u00e7\u00e3o desse ciclo prejudicial foi demonstrada em laborat\u00f3rio por meio da inibi\u00e7\u00e3o da enzima iNOS, que reduziu a progress\u00e3o da doen\u00e7a renal nos camundongos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caminho para a aplica\u00e7\u00e3o em pacientes humanos, no entanto, ainda exige cautela e rigor. &#8220;O desafio agora \u00e9 transformar esse conhecimento em uma terapia segura, eficaz e aplic\u00e1vel na pr\u00e1tica cl\u00ednica&#8221;, projeta a autora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a estrat\u00e9gia seja auspiciosa, uma vez que j\u00e1 existem compostos inibidores de iNOS desenvolvidos para outras finalidades, a defini\u00e7\u00e3o de doses adequadas e a avalia\u00e7\u00e3o de efeitos colaterais em humanos, segundo Thaynara Parente, s\u00e3o etapas necess\u00e1rias antes que a abordagem chegue aos hospitais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Economia e qualidade de vida<br><\/strong>A mudan\u00e7a de paradigma, segundo a professora, carrega um forte componente social e de sa\u00fade p\u00fablica. Atualmente, os tratamentos para a insufici\u00eancia renal avan\u00e7ada, como a hemodi\u00e1lise e o transplante, s\u00e3o onerosos e impactam severamente a qualidade de vida. O fortalecimento da ci\u00eancia b\u00e1sica sobre a microbiota surge, portanto, como estrat\u00e9gia promissora para reduzir o fardo econ\u00f4mico dos sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em longo prazo, interven\u00e7\u00f5es que interrompam esse ciclo poder\u00e3o contribuir para reduzir a progress\u00e3o da doen\u00e7a e a necessidade de terapias demoradas e onerosas, diminuindo interna\u00e7\u00f5es e aliviando a fila de transplantes. Na avalia\u00e7\u00e3o de Thaynara, o estudo refor\u00e7a que compreender as altera\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas profundas \u00e9 o \u00fanico caminho para transformar o conhecimento acad\u00eamico em pol\u00edticas de sa\u00fade acess\u00edveis. &#8220;A ci\u00eancia oferece ao Estado a tecnologia necess\u00e1ria para substituir interven\u00e7\u00f5es paliativas por solu\u00e7\u00f5es estruturantes, garantindo que o tratamento responda \u00e0 complexidade da vida de cada paciente&#8221;, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m assinam o artigo o professor Renato de Lima Santos, da Escola de Veterin\u00e1ria, e outros 11 pesquisadores da Yonsei University College of Medicine (Coreia do Sul), da University of California e da University of Texas (ambas nos Estados Unidos).&nbsp;<\/p>\n\n\n<section class=\"space-y-1 lg:px-8\">\n  <h3 class=\"text-lg font-semibold\">\n    Not\u00edcias relacionadas:\n  <\/h3>\n      <a class=\"flex gap-2 items-center text-[1.25rem]\" href=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/comunicacao\/noticias\/pesquisa-e-inovacao\/salmonelose-bovina-tambem-contamina-humanos\/\">\n      <i class=\"ti ti-corner-down-right\"><\/i>\n      <div class=\"pt-[0.4375rem]\">\n        <h4 class=\"text-lg font-normal text-neutral-500 line-clamp-2\">\n          <span class=\"text-primary-300 text-sm uppercase\">\n            Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o          <\/span>\n          Salmonelose bovina tamb\u00e9m\u00a0contamina humanos        <\/h4>\n        <p class=\"text-sm text-neutral-300 line-clamp-2\">\n          Um grupo de pesquisadores da Escola de Veterin\u00e1ria da UFMG est\u00e1 investigando como um tipo espec\u00edfico de salmonela \u00e9 transmitido entre animais e como ocorre a passagem desses pat\u00f3genos para os humanos. A ideia da pesquisa surgiu h\u00e1 oito anos, no Laborat\u00f3rio de Anaer\u00f3bios (Laev) da Escola de Veterin\u00e1ria da UFMG. Na \u00e9poca, os pesquisadores [&hellip;]        <\/p>\n      <\/div>\n    <\/a>\n  <\/section>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"featured_media":20344,"template":"","class_list":["post-20323","news","type-news","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/news\/20323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20344"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}