{"id":5458,"date":"2025-02-03T12:53:00","date_gmt":"2025-02-03T15:53:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufmg.br\/\/?post_type=news&#038;p=5458"},"modified":"2025-12-06T09:50:02","modified_gmt":"2025-12-06T12:50:02","slug":"inovacao-desenvolvida-na-ufmg-captura-ate-17-de-co%e2%82%82-gerado-por-caminhoes","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/comunicacao\/noticias\/pesquisa-e-inovacao\/inovacao-desenvolvida-na-ufmg-captura-ate-17-de-co%e2%82%82-gerado-por-caminhoes\/","title":{"rendered":"Inova\u00e7\u00e3o desenvolvida na UFMG captura at\u00e9 17% de CO\u2082 gerado por caminh\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil emite mais de dois bilh\u00f5es de toneladas brutas de gases de efeito estufa por ano, sendo que o mais abundante deles \u00e9, hoje, o di\u00f3xido de carbono (CO\u2082) \u2013 g\u00e1s produzido sobretudo pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, como petr\u00f3leo, carv\u00e3o e g\u00e1s natural. Em tempos de superaquecimento do planeta, mitigar essa emiss\u00e3o e seus efeitos \u00e9 um dos principais objetivos estrat\u00e9gicos das na\u00e7\u00f5es que pretendem \u201cadiar o fim do mundo\u201d, express\u00e3o cunhada pelo&nbsp;pensador ind\u00edgena brasileiro Ailton Krenak.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A solu\u00e7\u00e3o definitiva para o problema est\u00e1 longe de ser alcan\u00e7ada&nbsp;e, certamente, ter\u00e1 de passar por medidas profundas&nbsp;e transnacionais, mas uma inova\u00e7\u00e3o desenvolvida nos laborat\u00f3rios do Departamento de Qu\u00edmica da UFMG promete colaborar nesse processo. Trata-se de material absorvente de CO\u2082&nbsp;desenvolvido ao longo dos \u00faltimos 20 anos com apoio de grandes empresas e da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Nos \u00faltimos testes realizados, o material foi capaz de capturar algo entre 7,7% e 17,2% de di\u00f3xido de carbono&nbsp;produzido pelo sistema de combust\u00e3o de caminh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses \u00edndices foram alcan\u00e7ados em situa\u00e7\u00f5es reais de circula\u00e7\u00e3o, em testes realizados j\u00e1 em campo, e n\u00e3o apenas em laborat\u00f3rio. No teste que gerou os resultados citados, um caminh\u00e3o&nbsp;percorreu cerca de 170 quil\u00f4metros, passando por trechos rodovi\u00e1rios, urbanos e rurais, em um trajeto de cerca tr\u00eas horas e meia. A captura de 7,7% foi alcan\u00e7ada na circula\u00e7\u00e3o total do trajeto; a de 17,2%, no percurso urbano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Economia circular<\/strong><br>A captura do di\u00f3xido de carbono depende da&nbsp;instala\u00e7\u00e3o de um reator diretamente nos caminh\u00f5es; nesse reator&nbsp;se armazena o material absorvente \u2013 esferas de cerca de um cent\u00edmetro de di\u00e2metro \u2013 que realiza uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica com o g\u00e1s quando ambos entram em contato em determinada temperatura. Assim, \u00e0&nbsp;medida que o caminh\u00e3o vai circulando e seu sistema de combust\u00e3o libera&nbsp;CO\u2082, o material faz&nbsp;a captura desse g\u00e1s, impedindo que ele seja remetido&nbsp;\u00e0 atmosfera. Retido, o g\u00e1s pode ser regenerado e reutilizado controladamente pelas v\u00e1rias ind\u00fastrias que se valem desse insumo, como a qu\u00edmica e a de alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A metodologia utilizada no caminh\u00e3o para a captura do g\u00e1s e sua medi\u00e7\u00e3o&nbsp;\u00e9 chamada de Real Driving Emissions (RDE), desenvolvida em 2016 e implantada na Europa em 2017. Segundo Jadson Cl\u00e1udio Belchior, professor do Departamento de Qu\u00edmica da UFMG, a metodologia est\u00e1 atualmente em fase de homologa\u00e7\u00e3o no Brasil. \u201cAt\u00e9 ent\u00e3o, medi\u00e7\u00f5es desse tipo eram todas feitas em laborat\u00f3rio, onde&nbsp;o ve\u00edculo e seus par\u00e2metros, como a rota\u00e7\u00e3o e o torque do motor, s\u00e3o&nbsp;monitorados e bem controlados. Com a&nbsp;RDE, o ve\u00edculo sai efetivamente para a rua, o que&nbsp;possibilita&nbsp;alcan\u00e7ar um resultado mais condizente com as emiss\u00f5es reais de seu uso\u201d, explica o professor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jadson Belchior \u00e9 o coordenador geral do projeto por meio do qual a inova\u00e7\u00e3o foi desenvolvida. \u00c9&nbsp;dele e de um&nbsp;grupo de alunos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o a autoria da inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Patente depositada<\/strong><br>O dep\u00f3sito do \u00faltimo pedido de patente relativo \u00e0 tecnologia&nbsp;foi realizado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) no dia 23 de janeiro, mas as pesquisas da equipe de Jadson s\u00e3o desenvolvidas&nbsp;desde 2007. De l\u00e1 para c\u00e1, cerca de 20&nbsp;patentes foram registradas no Brasil e nos EUA, de modo a estabelecer as propriedades industriais dos avan\u00e7os parciais que, relacionados ao invento, foram&nbsp;sendo alcan\u00e7ados. Algumas dessas inova\u00e7\u00f5es dizem respeito, por exemplo, ao aumento da resist\u00eancia mec\u00e2nica do material, que hoje j\u00e1 \u00e9 capaz de operar em v\u00e1rios ciclos de captura e regenera\u00e7\u00e3o do CO\u2082.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jadson rememora a hist\u00f3ria de concep\u00e7\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o. \u201cDe modo geral, essa hist\u00f3ria se organiza em tr\u00eas etapas. A primeira vai de 2007 a 2009, quando fizemos&nbsp;o nosso primeiro dep\u00f3sito de patente relacionado a um material cer\u00e2mico capaz de capturar CO\u2082. Na \u00e9poca, consegu\u00edamos fazer a captura em uma temperatura de cerca de 600&nbsp;\u00baC, o que j\u00e1 era um avan\u00e7o. A segunda etapa ocorreu sobretudo de 2015 a 2018, quando empresas como a Petrobras e a&nbsp;Fiat&nbsp;<em>[hoje Stellantis]<\/em>&nbsp;se envolveram no financiamento do projeto\u201d, ele lembra. Na \u00e9poca, o material foi aprimorado, de forma a se conseguir a captura do CO\u2082&nbsp;em temperaturas de cerca de 300&nbsp;\u00baC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terceira etapa ocorreu ap\u00f3s a pandemia. Em 2021, foi preparado novo projeto em parceria com o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e com uma ind\u00fastria de ve\u00edculos. Em seguida, em 2022, esse projeto foi contemplado com recursos do Programa Rota 2030 \u2013 Mobilidade e Log\u00edstica do Governo Federal, que fomenta&nbsp;o desenvolvimento do setor automotivo do pa\u00eds. O novo projeto possibilitou alcan\u00e7ar os atuais percentuais de captura do g\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mobilidade verde<br><\/strong>\u201cMontadoras de ve\u00edculos colocaram como expectativa o patamar de 8% de captura de CO\u2082&nbsp;s\u00f3 em 2040. N\u00f3s estamos alcan\u00e7ando esse percentual de captura 15&nbsp;anos antes\u201d, comemora Jadson. O pesquisador lembra ainda&nbsp;que os resultados obtidos com a inova\u00e7\u00e3o v\u00e3o ao encontro das metas estabelecidas pelo Programa Mobilidade Verde e Inova\u00e7\u00e3o (Mover), criado pelo governo federal no ano passado como desdobramento do Rota 2030, que j\u00e1 visava reduzir em 50% as emiss\u00f5es de carbono at\u00e9 2030, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s emiss\u00f5es de 2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o&nbsp;novo programa, o objetivo \u00e9&nbsp;estimular mais diretamente os investimentos em novas rotas tecnol\u00f3gicas e aumentar as exig\u00eancias de descarboniza\u00e7\u00e3o da frota automotiva brasileira, incluindo carros de passeio, \u00f4nibus e caminh\u00f5es. Para isso, planeja-se&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdic\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2024\/junho\/presidente-sanciona-lei-do-programa-mover\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">expandir os investimentos em efici\u00eancia energ\u00e9tica no pa\u00eds<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tecnologia desenvolvida no projeto de Jadson Belchior possibilita a captura do&nbsp;CO\u2082&nbsp;em temperaturas na faixa de 100 \u00baC.&nbsp;Ele&nbsp;vislumbra a possibilidade de se fazer a capta\u00e7\u00e3o em temperaturas ainda menores, o que ser\u00e1 particularmente importante para reduzir o custo energ\u00e9tico e viabilizar economicamente o processo. Segundo o professor,&nbsp;a tecnologia desenvolvida se mostra promissora para a captura n\u00e3o apenas em ve\u00edculos, mas tamb\u00e9m em estruturas industriais&nbsp;emissoras de CO\u2082.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":5459,"template":"","class_list":["post-5458","news","type-news","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/news\/5458","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5459"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}