{"id":5547,"date":"2025-02-07T15:38:00","date_gmt":"2025-02-07T18:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufmg.br\/\/?post_type=news&#038;p=5547"},"modified":"2025-12-06T09:30:57","modified_gmt":"2025-12-06T12:30:57","slug":"escolas-particulares-vendem-50-mais-ultraprocessados-do-que-alimentos-saudaveis","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/comunicacao\/noticias\/pesquisa-e-inovacao\/escolas-particulares-vendem-50-mais-ultraprocessados-do-que-alimentos-saudaveis\/","title":{"rendered":"Escolas particulares vendem 50% mais ultraprocessados do que alimentos saud\u00e1veis"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas cantinas de escolas particulares no Brasil, alimentos ultraprocessados e prepara\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias baseadas nesses alimentos (AUPP) s\u00e3o aproximadamente 50% mais comercializados do que os&nbsp;in natura, minimamente processados, processados e prepara\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias baseadas nesses alimentos (AIMPP). No com\u00e9rcio ambulante, essa diferen\u00e7a \u00e9 ainda mais acentuada, chegando a 117%. \u00c9 o que revela o estudo pioneiro&nbsp;<em>Comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos em escolas brasileiras (Caeb)<\/em>, coordenado por um grupo de pesquisadores vinculados a seis universidades p\u00fablicas brasileiras, entre as quais,&nbsp;a UFMG.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo avaliou aspectos relacionados \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos e bebidas em 2.241 cantinas escolares e por 699 ambulantes no entorno de escolas privadas de ensino fundamental e m\u00e9dio nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal. Os resultados chamam a&nbsp;aten\u00e7\u00e3o para a excessiva oferta de AUPP para crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas cantinas, o refrigerante \u00e9 o&nbsp;produto mais consumido, com expressivos 61,80%; na sequ\u00eancia, est\u00e3o o salgado assado com recheio ultraprocessado (47,88%), bombom ou chocolate (37,97%) e salgadinhos de pacote (37,48%). Os ambulantes, por sua vez, vendem mais refrigerante (46,2%), guloseimas (29,6%), salgadinhos de pacote (21,5%) e pipoca de pacote (19%).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dos alimentos in natura, minimamente processados ou processados e prepara\u00e7\u00f5es baseadas nesses alimentos, os mais consumidos nas cantinas s\u00e3o a \u00e1gua (79,70%), sucos naturais de fruta (70,54%), bolos de prepara\u00e7\u00e3o culin\u00e1ria (59,43%), salgado assado sem recheio ultraprocessado (53,27%) e sucos 100% integrais em caixinha, lata ou garrafa (37,57%). A \u00e1gua tamb\u00e9m foi a mais vendida por ambulantes no entorno de escolas particulares, seguida do caf\u00e9 (12,2%), do bolo de prepara\u00e7\u00e3o culin\u00e1ria (11,6%) e do suco natural de fruta (11,3%).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Papel crucial das escolas<br><\/strong>Para a coleta de informa\u00e7\u00f5es com ambulantes e gestores de cantinas, foi distribu\u00eddo um question\u00e1rio que contemplou quest\u00f5es separadas em tr\u00eas se\u00e7\u00f5es: informa\u00e7\u00f5es da cantina ou do ambulante (identifica\u00e7\u00e3o e caracteriza\u00e7\u00e3o); comercializa\u00e7\u00e3o, variedade, tamanho, valor do menor pre\u00e7o e estrat\u00e9gia de venda (promo\u00e7\u00e3o\/combo) dos alimentos, bebidas e prepara\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias; presen\u00e7a de publicidade dos alimentos e bebidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Escola de Enfermagem da UFMG e outras 23 institui\u00e7\u00f5es de ensino superior p\u00fablicas brasileiras participam do levantamento. Uma das coordenadoras do estudo, a professora da UFMG Larissa Loures Mendes&nbsp;enfatiza que o ambiente alimentar escolar no Brasil desempenha um papel crucial na forma\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos e prefer\u00eancias alimentares entre crian\u00e7as e adolescentes e que a qualidade dos alimentos dispon\u00edveis nas escolas influencia diretamente a sa\u00fade e o bem-estar dos estudantes. Ela enfatiza que h\u00e1 um contraste entre os ambientes alimentares das escolas p\u00fablicas e privadas.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"medium\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"352\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/app\/uploads\/2025\/08\/b6468fdbf6f404bfafc2abbb15053e85_17389378910728_458832897-352x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Larissa Loures: ambiente das escolas privadas \u00e9 obesog\u00eanico\n\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tLarissa Loures: ambiente das escolas privadas \u00e9 obesog\u00eanico\n\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: acervo pessoal\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs escolas p\u00fablicas t\u00eam um papel destacado nesse contexto, pois a maioria apresenta ambientes que promovem alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel por meio do Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar, que oferta refei\u00e7\u00f5es alinhadas com as recomenda\u00e7\u00f5es das vers\u00f5es atuais dos guias alimentares brasileiros\u201d, afirma a professora. Esse programa, segundo ela, visa garantir a seguran\u00e7a alimentar e nutricional, promovendo uma alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel, e tamb\u00e9m \u00e9 um importante instrumento para o desenvolvimento biopsicossocial dos estudantes. \u201cAs escolas privadas, por sua vez, apresentam frequentemente um ambiente alimentar mais obesog\u00eanico, com maior disponibilidade de produtos ultraprocessados e menos op\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis\u201d, ressalta a professora&nbsp;Larissa Loures.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refei\u00e7\u00f5es<br><\/strong>O estudo&nbsp;<em>Comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos em escolas brasileiras<\/em>&nbsp;revela que quase a totalidade das cantinas das escolas particulares (92,54%) comercializa lanches e que parte delas oferece caf\u00e9 da manh\u00e3 (22,13% ) e almo\u00e7o (23,82%). Mais da metade das cantinas em Boa Vista, Distrito Federal, Porto Alegre e Vit\u00f3ria comercializam a primeira refei\u00e7\u00e3o do dia. E mais da metade das de Belo Horizonte, Distrito Federal e Vit\u00f3ria ofertam o almo\u00e7o. Apenas 5,48% das cantinas no pa\u00eds oferecem jantar \u2013 as maiores frequ\u00eancias foram encontradas em Campo Grande (29,3%), Vit\u00f3ria (26,67%) e S\u00e3o Paulo (24,80%).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No conjunto das 26 capitais e o Distrito Federal, os pesquisadores verificaram que cerca de um quinto das cantinas (20,16%) oferecem refei\u00e7\u00e3o (comida). Apenas no Distrito Federal (59,22%) e em Belo Horizonte (51,32%) foi observado que mais da metade das cantinas oferecem refei\u00e7\u00e3o (comida).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Larissa Loures&nbsp;comenta que, nessas escolas, apenas 26,95% das cantinas desenvolvem a\u00e7\u00f5es que incentivem a alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel. \u201cNas an\u00e1lises estratificadas, identificamos que apenas em Belo Horizonte, Campo Grande, Manaus, Palmas, Porto Alegre, Porto Velho, Salvador e S\u00e3o Paulo mais da metade das cantinas desenvolve a\u00e7\u00f5es que incentivem a alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Publicidade e nutricionista<br><\/strong>Os pesquisadores constataram tamb\u00e9m que 36,09% das cantinas utilizam pelo menos uma estrat\u00e9gia de publicidade de alimentos in natura ou minimamente processados comercializados, e 37,38%, de publicidade de alimentos ultraprocessados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No com\u00e9rcio ambulante no entorno de escolas particulares, a exposi\u00e7\u00e3o de publicidade (banner\/cartaz do fornecedor, banner\/cartaz do ambulante, vestimenta, r\u00e9plica do produto, card\u00e1pio, embalagem, painel\/televis\u00e3o, folder, displays e brindes) vinculada a alimentos minimamente processados ou processados e alimentos ultraprocessados foi de 86,8% e 72,7%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerando o conjunto das 26 capitais e o Distrito Federal, pouco mais da metade das cantinas (50,55%) tem nutricionista. Nas an\u00e1lises estratificadas por cidades, observou-se o mesmo cen\u00e1rio, com exce\u00e7\u00e3o de Aracaju, Bel\u00e9m, Boa Vista, Cuiab\u00e1, Goi\u00e2nia, Macap\u00e1, Macei\u00f3, Porto Velho, Recife, Rio Branco, Rio de Janeiro e Salvador, em que menos da metade das cantinas tem nutricionista. Larissa enfatiza que a presen\u00e7a de nutricionistas nas escolas privadas diminui a quantidade de ultraprocessados comercializados. \u201cIsso foi constatado no estudo, j\u00e1 que as capitais em que esses profissionais de sa\u00fade atuam nas escolas tiveram melhor desempenho no \u00edndice de saudabilidade calculado pela pesquisa&#8221;, ela diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Propostas<br><\/strong>O&nbsp;<a href=\"https:\/\/estudocaeb.nutricao.ufrj.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">projeto Caeb<\/a>&nbsp;re\u00fane informa\u00e7\u00f5es sobre a comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos e bebidas em cantinas e lanchonetes de escolas privadas e tamb\u00e9m do entorno dessas unidades de ensino, com a finalidade de embasar a cria\u00e7\u00e3o de propostas que contribuam para escolhas alimentares mais saud\u00e1veis pelos alunos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa foi realizada em parceria com o instituto Vox Populi. Financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), o trabalho conta com o apoio da ACT Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), do Instituto Ibirapitanga e do Instituto Desiderata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As escolas foram selecionadas por sorteio, e a participa\u00e7\u00e3o na pesquisa ocorreu com a livre concord\u00e2ncia do propriet\u00e1rio ou do gestor da cantina e dos comerciantes ambulantes. Foram coletadas informa\u00e7\u00f5es sobre pre\u00e7o, disponibilidade e qualidade das bebidas e alimentos comercializados. Os estabelecimentos participantes receber\u00e3o, gratuitamente, um diagn\u00f3stico sobre a situa\u00e7\u00e3o da sua atividade de com\u00e9rcio de alimentos e bebidas nas escolas. &#8220;Essas informa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m ser\u00e3o tratadas de modo confidencial e ser\u00e3o compartilhadas apenas com os gestores dos com\u00e9rcios, que s\u00e3o as pessoas que responderam \u00e0 pesquisa\u201d, informa Larissa Loures.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a professora da Escola de Enfermagem, o diagn\u00f3stico inclui um esquema de f\u00e1cil visualiza\u00e7\u00e3o que mostra o percentual de alimentos in natura, minimamente processados e ultraprocessados oferecidos pelos estabelecimentos. &#8220;A devolutiva indica os pontos cr\u00edticos desse com\u00e9rcio e fornece dicas de como melhorar o neg\u00f3cio, tornando-o mais alinhado \u00e0s \u00faltimas recomenda\u00e7\u00f5es para uma alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel. Por fim, o participante da pesquisa receber\u00e1 um guia pr\u00e1tico, em formato de e-book, para a implementa\u00e7\u00e3o de uma cantina saud\u00e1vel&#8221;, esclarece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"featured_media":5548,"template":"","class_list":["post-5547","news","type-news","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/news\/5547","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5548"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5547"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}