{"id":6220,"date":"2025-02-25T16:15:00","date_gmt":"2025-02-25T19:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufmg.br\/\/?post_type=news&#038;p=6220"},"modified":"2025-12-06T08:32:42","modified_gmt":"2025-12-06T11:32:42","slug":"morre-leticia-malard-professora-da-fale-e-referencia-na-pesquisa-em-literatura-brasileira","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/comunicacao\/noticias\/pessoas\/morre-leticia-malard-professora-da-fale-e-referencia-na-pesquisa-em-literatura-brasileira\/","title":{"rendered":"Morre Let\u00edcia Malard, professora da Fale e refer\u00eancia na pesquisa em literatura brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Morreu nesta segunda-feira, 24, aos 88 anos, a professora, escritora de fic\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica liter\u00e1ria Let\u00edcia Malard, refer\u00eancia na pesquisa da literatura brasileira. A causa da morte n\u00e3o foi divulgada. Let\u00edcia formou-se em L\u00ednguas Neolatinas pela antiga Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras (da qual se desmembrou a atual Faculdade de Letras), em 1958. Em 1972, tornou-se doutora em literatura pela pr\u00f3pria UFMG, com tese sobre a obra de Graciliano Ramos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nascida em 15 de novembro de 1936 em Pirapora, Minas Gerais, Malard come\u00e7ou sua carreira nos col\u00e9gios de Belo Horizonte do fim dos anos 1950, onde ensinava portugu\u00eas, espanhol e ingl\u00eas. De 1959 a 1974, foi professora da Escola Estadual Milton Campos, mais conhecida como&nbsp;Col\u00e9gio&nbsp;Estadual Central, refer\u00eancia do ensino secund\u00e1rio na capital na segunda metade do s\u00e9culo 20. Ingressou no ensino superior em 1966&nbsp;como professora da Uni-BH. Sua carreira como docente da UFMG tem in\u00edcio na aurora&nbsp;dos anos 1970.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 26 de maio de 1971, Let\u00edcia Malard foi admitida como professora auxiliar das disciplinas introdut\u00f3rias do curso de letras da institui\u00e7\u00e3o, com foco em&nbsp;teoria da literatura. Da\u00ed em diante, foi galgando posi\u00e7\u00f5es na hierarquia docente&nbsp;(professora assistente, em 1974, adjunta, em 1977, titular, em 1985, e em\u00e9rita, em 2002) at\u00e9 se consagrar como uma de suas refer\u00eancias no campo do ensino e da pesquisa da literatura brasileira. Em particular, Malard era saudada por ter estabelecido, ainda nos anos 70, conex\u00f5es in\u00e9ditas entre literatura e pol\u00edtica e literatura e hist\u00f3ria, a partir da teoria marxista,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufmg.br\/boletim\/bol1374\/quarta.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">como certa vez lembrou o professor da Fale Jos\u00e9 Am\u00e9rico de Miranda Barros<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre outros feitos, a&nbsp;pesquisadora foi respons\u00e1vel por recolocar em debate a obra de Avelino F\u00f3scolo, autor do primeiro trabalho de fic\u00e7\u00e3o a tratar da mudan\u00e7a da capital de Minas Gerais para Belo Horizonte (o romance&nbsp;<em>A capital<\/em>, publicado em 1903). Ela o fez com o ensaio&nbsp;<em>Hoje tem espet\u00e1culo: Avelino F\u00f3scolo e seu romance<\/em>, defendido como memorial em 1984, com vistas \u00e0 sua promo\u00e7\u00e3o a professora titular, e publicado como livro em 1987, pela Editora UFMG. Mais tarde, Malard&nbsp;<a href=\"https:\/\/ufmg.br\/comunicacao\/noticias\/obra-de-autor-mineiro-e-reeditada-apos-mais-de-100-anos-de-publicacao-em-folhetim\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicaria&nbsp;em livro uma obra in\u00e9dita do autor, garimpada em seus arquivos<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sensibilidade<\/strong><br>\u201cPerdemos um grande nome da literatura brasileira,&nbsp;uma pesquisadora de enorme talento, uma refer\u00eancia para todos n\u00f3s, da \u00e1rea da literatura\u201d, afirma a reitora Sandra Regina Goulart Almeida, que \u00e9 tamb\u00e9m professora da Faculdade de Letras. \u201cSeu legado maravilhoso ficar\u00e1 para sempre conosco&#8221;, disse Sandra Goulart, que se recorda, com gratid\u00e3o, de uma mensagem que recebeu da amiga logo que&nbsp;assumiu&nbsp;o seu primeiro mandato como reitora, em 2018.&nbsp;&#8220;Ela escreveu um texto maravilhoso falando da cerim\u00f4nia, mas tamb\u00e9m do momento dif\u00edcil que viv\u00edamos na \u00e9poca, com grande&nbsp;sensibilidade. Foi&nbsp;uma reflex\u00e3o cr\u00edtica excepcional&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Let\u00edcia foi autora de livros basilares para o estudo da literatura produzida no Brasil. Pela Editora UFMG, publicou os ensaios&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.editoraufmg.com.br\/#\/pages\/obra\/480\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">No vasto mundo de Drummond<\/a><\/em>&nbsp;(2005) e&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.editoraufmg.com.br\/#\/pages\/obra\/468\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Literatura e dissid\u00eancia pol\u00edtica<\/a><\/em>&nbsp;(2006), al\u00e9m de&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.editoraufmg.com.br\/#\/pages\/obra\/29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Divina dama<\/a><\/em>&nbsp;(2013), romance formalmente disruptivo, em que a autora, a partir de um mosaico de vozes, ficcionaliza a vida de personagens de uma favela imaginada, em trama relacionada ao tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sempre disposta a ajudar, Let\u00edcia Malard respondia com prontid\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o \u00e0s&nbsp;mais variadas consultas que lhe eram feitas por alunos, colegas e jornalistas. Generosa, n\u00e3o se furtava a&nbsp;abrir as portas da sua casa para receber interlocutores intelectuais. Al\u00e9m disso, a pesquisadora se manteve atuante por toda a vida. Ap\u00f3s a aposentadoria, seguiu prestando assessoria a diversos \u00f3rg\u00e3os acad\u00eamicos e culturais, e era comum v\u00ea-la ora na plateia, ora no p\u00falpito de eventos realizados nos ambientes&nbsp;intelectuais de Belo Horizonte, como a Academia Mineira de Letras (AML).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora&nbsp;foi&nbsp;consultora editorial de institui\u00e7\u00f5es como a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), de 1986 a 1996, e a Universidade de Bras\u00edlia (Unb), de 1997 em diante. Na&nbsp;Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), atuou como parecerista a partir de 2013, contribuindo&nbsp;para o melhor direcionamento dos recursos dispon\u00edveis \u00e0 boa produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica do per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em certas passagens de sua vida, a hist\u00f3ria da professora se confunde com o pano de fundo da melhor prosa mineira do s\u00e9culo 20. Em conversa mantida sobre a obra de Fernando Sabino, ela&nbsp;contou&nbsp;ter sido colega de sala, na Faculdade de Letras, de um dos tantos personagens da vida real que inspiram Sabino na composi\u00e7\u00e3o do protagonista de&nbsp;<em>O grande mentecapto<\/em>, Geraldo Viramundo. &#8220;Ele era muito mais velho do que a turma, tinha problemas mentais e era protegido da c\u00fapula da escola&#8221;, lembrou. Em outro momento, confidenciou tamb\u00e9m ter sido amiga de \u201calgumas das pessoas-personagens de&nbsp;<em>O encontro marcado<\/em>\u201d, uma das obras-primas do&nbsp;autor mineiro.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"medium\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/app\/uploads\/2025\/08\/52bea1676765063f4a266895ecfee846_17405086991946_563480316-640x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"Imagem mostra Rog\u00e9rio Faria Tavares ao lado de Let\u00edcia Malard\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Rog\u00e9rio Faria Tavares, membro da AML, foi um dos que renderam homenagens a Let\u00edcia Malard\n\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tRog\u00e9rio Faria Tavares, membro da AML, foi um dos que renderam homenagens a Let\u00edcia Malard\n\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: Arquivo pessoal de Rog\u00e9rio Faria Tavares\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As&nbsp;homenagens<br><\/strong>Colegas da UFMG e da cena cultural mineira postaram depoimentos nas redes sociais homenageando a mestra e colega. \u201cQue not\u00edcia triste! A Let\u00edcia iluminou o meu caminho e o de v\u00e1rios colegas na Fale por meio de seu amor e entusiasmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 literatura brasileira. Que ela ilumine novos caminhos em outros planos\u201d, escreveu Marcos Ant\u00f4nio Alexandre, professor da Faculdade de Letras. \u201cLet\u00edcia Malard foi uma profissional competente e, mais do que isso, uma amiga instigante e afetuosa. Em longas conversas com ela, aprendi muito sobre literatura. Hoje \u00e9 um dia de a ela render as mais belas homenagens e tamb\u00e9m de deixar a tristeza fazer luto em mim\u201d, anotou Luc\u00edlia de Almeida Neves Delgado, professora aposentada de Hist\u00f3ria e Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Fafich.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora&nbsp;Beatriz Vaz Le\u00e3o, da Faculdade de Letras, declarou: \u201cTristeza&#8230; Foi minha professora e eu amava as suas aulas.\u201d Teodoro Renn\u00f3 Assun\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m da Fale, se disse &#8220;muito tocado. Fui aluno dela e aprendi muito com ela. Era uma pesquisadora muito honesta em tudo o que fazia\u201d, lembrou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHoje nos despedimos de uma das melhores: Let\u00edcia Malard. Mulher forte, professora competente, intelectual de alt\u00edssimo n\u00edvel, certamente uma das mais completas que Minas ofereceu ao Brasil\u201d, registrou&nbsp;o jornalista e escritor Rog\u00e9rio Faria Tavares, membro da AML, que Let\u00edcia tanto frequentava. \u201cEla foi uma pensadora da cultura, algu\u00e9m que dinamizou a vida cultural de Belo Horizonte e de Minas Gerais com suas confer\u00eancias, palestras e semin\u00e1rios. Vocacionada para a sala de aula, Let\u00edcia tinha uma generosidade imensa para partilhar seu conhecimento. N\u00e3o tinha pregui\u00e7a de ensinar nem de discutir com os alunos o que sabia. Foi, sobretudo, uma professora e, depois, uma pesquisadora em literatura brasileira\u201d,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/gerais\/2025\/02\/7069731-morre-aos-88-anos-a-professora-e-escritora-leticia-malard.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">disse ainda Faria&nbsp;Tavares, em entrevista ao jornal&nbsp;Estado de Minas<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 dez anos, o programa&nbsp;<em>Imagem da palavra<\/em>, da Rede Minas, entrevistou Let\u00edcia Malard sobre a censura \u00e0 produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria brasileira nos anos de chumbo, ap\u00f3s o golpe de 1964. A primeira parte da entrevista pode ser assistida&nbsp;no&nbsp;player a seguir:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Let\u00edcia Malard - Imagem da Palavra - Parte 1\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/u_LvdsZCkvc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"featured_media":6221,"template":"","class_list":["post-6220","news","type-news","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/news\/6220","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6221"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-dev\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}