Lula e Flávio Bolsonaro empatados em pesquisa: “Resultado vai se dar pela rejeição”, afirma professora da Unirio Luciana Veiga
Professora realça papel da confirmação de Flávio como candidato em seu crescimento e das expectativas frustradas na desaprovação de Lula
Nesta terça-feira, 17 de março de 2026, a cientista política, professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Digital da Escola de Comunicação, Mídia e Informação da Fundação Getúlio Vargas (FGV Comunicação) Luciana Fernandes Veiga conversou com a apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.
Pela primeira vez, o senador Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, atual presidente, aparecem empatados em um eventual segundo turno da corrida eleitoral para o Planalto, ambos com 41% das intenções de voto. O levantamento divulgado na última quarta, dia 11, é da Quaest, um instituto de pesquisas sediado em BH e que desde 2022 faz pesquisas das eleições presidenciais, em parceria com a Genial Investimentos. Entrevistando 2.004 eleitores entre 6 e 9 deste mês, com margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos, a pesquisa apresentou 7 cenários de primeiro turno há menos de sete meses das eleições.
Os resultados mostraram a consolidação da disputa entre o atual presidente e o senador, deixando poucas chances para outros nomes. Outra questão importante demonstrada foram a tendência de queda da aprovação e aumento da desaprovação do governo, tanto em números gerais, 44% aprovação contra 51% de desaprovação, quanto em segmentos específicos do eleitorado. Vale destaque também para o crescimento consistente de Flávio Bolsonaro: ele saltou de 23% de intenção de voto para 33%, dez pontos a mais. Isso se deu a partir de dezembro, quando foi anunciado como o candidato de seu pai, Jair, que está inelegível e preso por golpe de Estado e outros crimes.
Ainda há muita coisa para acontecer e os números mostram rejeição próxima entre os dois principais concorrentes: Lula tem 56% e Flávio, 55%. A pesquisa também perguntou “O que assusta mais: Lula continuar ou a família Bolsonaro voltar ao poder?”. As respostas mostraram 43% com mais medo de um eventual governo Lula 4 e 42% com a volta da família do ex-presidente, enquanto 7% disseram temer os dois.
A professora explica que o rápido crescimento de Flávio Bolsonaro veio após o anúncio dele como candidato do pai, levando-o a aparecer empatado com Lula na pesquisa de agora. A alta veio primeiro com a adesão imediata dos bolsonaristas e, em março, com a chegada de eleitores de direita não bolsonaristas e uma parte dos independentes. Segundo Veiga, a adesão a ele como candidato confirmado leva a um raciocínio motivado que afeta negativamente a aprovação do governo Lula, além de expectativas frustradas, principalmente com a isenção no Imposto de Renda. “O resultado vai se dar pela rejeição”, afirma a professora, que detalha que o chamado voto independente vai definir a eleição, dando a vitória para o candidato que a população menos quer evitar.