CTVacinas da UFMG vai coordenar iniciativa nacional de desenvolvimento de terapias com RNA
Novo centro, que deve entrar em operação ainda neste semestre, vai abrigar produção de vacinas contra malária, influenza, Chagas, leishmaniose e chikungunya
Por: Assessoria de Imprensa UFMG
O Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da UFMG foi selecionado, entre algumas das principais instituições científicas do país, para implementar e coordenar o Centro de Competência em Vacinas e Terapias com RNA — iniciativa do Ministério da Saúde, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), destinada à criação de estruturas capazes de desenvolver tecnologias avançadas em saúde.
O novo centro será implantado, num primeiro momento, dentro da estrutura do CTVacinas, no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), com expansão prevista para o futuro prédio do Centro Nacional de Vacinas (CNVacinas), cuja primeira etapa das obras foi entregue neste mês. A coordenação será da professora Santuza Teixeira, integrante do comitê gestor do Centro. O quarto andar do novo complexo será dedicado às atividades do centro, que também compartilhará laboratórios já existentes.
A operação começa ainda neste semestre, com expansão gradual até atingir sua capacidade máxima em 2027, com a conclusão das novas instalações. O investimento previsto é de R$ 60 milhões ao longo de quatro anos, com aporte equivalente do próprio CTVacinas.
A proposta liderada pelo CTVacinas reúne pesquisadores da UFMG em parceria com a USP, universidades dos Estados Unidos e centros de pesquisa especializados. “Conseguimos demonstrar não só a capacidade técnica, mas uma história consistente de desenvolvimento de vacinas e terapias baseadas em RNA. Isso foi decisivo para a escolha”, resume o coordenador do CTVacinas, Ricardo Gazzinelli.
Do laboratório ao paciente
A estrutura possibilitará desenvolver projetos desde a prova de conceito até ensaios clínicos — etapa crítica para que vacinas e terapias cheguem à população. “Esse é um salto importante. Passaremos a ter condições de avançar com vários projetos ao mesmo tempo e levar essas soluções até o paciente”, destaca Gazzinelli.
Entre as prioridades estão o desenvolvimento de vacinas de RNA para malária e influenza — além de projetos em andamento para doenças como Chagas, leishmaniose e chikungunya. No caso da influenza, a tecnologia de RNA permite atualizações mais rápidas, alinhadas às variantes em circulação no país.
A proposta ainda prevê a ampliação de cooperação com empresas, além da formação de profissionais altamente qualificados em uma tecnologia ainda restrita a poucos grupos no Brasil. “O objetivo é atrair empresas para desenvolver tecnologia conosco e formar pessoas preparadas para atuar nesse mercado”, explica Santuza Teixeira.
A iniciativa inclui também intercâmbio internacional, com envio de pesquisadores para centros avançados e atração de especialistas estrangeiros.
Projeto estratégico
A criação do centro é parte de uma estratégia nacional voltada ao fortalecimento da capacidade científica e tecnológica do Brasil em áreas críticas para o SUS e para a soberania nacional.
Tecnologias baseadas em RNA ganharam protagonismo global após a pandemia de covid-19, ao viabilizar o desenvolvimento rápido de vacinas altamente eficazes.
“Esse centro coloca o Brasil dentro do cenário global de vacinas e terapias de RNA. É uma oportunidade de avançar em uma tecnologia estratégica em um momento em que há uma reconfiguração desse campo no mundo”, destaca Santuza Teixeira.