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30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás: “Espero que a Comissão Interamericana condene o Estado brasileiro”, destaca o sobrevivente Márcio Lima

O presidente da associação das vítimas do massacre destaca a chacina no Pará como uma “forma cruel e covarde de calar os trabalhadores”, que lutavam por reforma agrária

Nesta segunda-feira, 4 de maio de 2026, o sobrevivente do Massacre de Eldorado do Carajás e presidente da Associação das Vítimas do Massacre de Eldorado do Carajás, Márcio Lima, conversou com a jornalista e apresentadora Alessandra Dantas, no programa Acesso Livre.

A luta pelo direito à terra simboliza a história de milhões de brasileiros e brasileiras. E sabemos que a busca pela garantia deste direito é permeada pela violência e, muitas vezes, uma violência do próprio Estado. Podemos entender a terra como espaço de disputa, de memória e também de sobrevivência. No último dia 17 de abril completaram-se 30 anos do maior massacre da história recente do campo brasileiro: o Massacre de Eldorado do Carajás, no Pará. Em 1996, policiais militares atiraram contra um grupo do MST, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, que realizavam um protesto pela reforma agrária, na rodovia PA-150, no município de Eldorado do Carajás.

21 pessoas foram assassinadas há 30 anos, no maior caso de violência no campo brasileiro da história recente. Foto: Sebastião Salgado

Os camponeses marchavam até a capital do estado, Belém, pela desapropriação da fazenda Macaxeira, ocupada por milhares de famílias Sem Terra, e bloquearam a rodovia, no quilômetro 95. Com o aval do governo do estado, centenas de agentes atacaram os manifestantes. Dezenove deles morreram no local e outros dois, no hospital, além de dezenas de pessoas feridas. Apenas dois dos 155 policiais envolvidos foram condenados. Os outros foram todos absolvidos.

O tenente-coronel da PM Mario Colares Pantoja, oficial de maior patente e responsável pela operação, foi condenado a 228 anos de reclusão. Ele começou a cumprir pena em 2012, passando à prisão domiciliar de 2016 a 2020, quando morreu. A sentença do major José Maria Pereira Oliveira foi de 158 anos, que ele cumpre até hoje, mas em prisão domiciliar depois de 6 anos em regime fechado.

Márcio Lima, em registro no dia 17 de abril de 1996, após o ataque. Foto: Acervo pessoal

Márcio, que tinha 25 anos à época do massacre, destaca as condições precárias de muitos sobreviventes, com problemas de saúde, uma indenização insuficiente, além dos que não recebem reparação alguma. Ele também comentou sobre a impunidade dos policiais que cometeram a chacina e a luta por justiça na Comissão Interamericana de Direitos Humanos. “Eu não queria isso porque é uma vergonha para o nosso país. Eu e vários companheiros morreriam pelo nosso país se preciso fosse e o que o nosso país tem feito por nós? Tem negado os nossos direitos”, desabafou.

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