Voltar para o Início Ir para o rodapé

Ambiente de Desenvolvimento. Não navegue ou compartilhe este link.

Ambiente de Desenvolvimento. Não navegue ou compartilhe este link.

Ambiente de Desenvolvimento. Não navegue ou compartilhe este link.

Ambiente de Desenvolvimento. Não navegue ou compartilhe este link.

Ambiente de Desenvolvimento. Não navegue ou compartilhe este link.

Ambiente de Desenvolvimento. Não navegue ou compartilhe este link.

Estudos do Lazer

Kitesurf transforma vila litorânea no Piauí e revela desafios sociais

Tese defendida na EEFFTO investiga impactos culturais e territoriais da prática esportiva

Por Matheus Espíndola

O kitesurf combina técnicas de surfe, wakeboard e parapente, que possibilitam deslizar sobre a água, saltar e executar manobras radicais; desde 2013, o Projeto Vivo tem democratizado o acesso ao esporte em Barra Grande
Foto: Projeto Vivo

Ao longo das últimas duas décadas, a vila litorânea de Barra Grande, no Piauí, foi alçada de povoado essencialmente pesqueiro a destino turístico internacional. No centro dessa virada, está a ascensão do kitesurf, esporte aquático em que o praticante, preso a uma prancha, é impulsionado pela força do vento por meio de uma pipa (kite), controlada por cabos e uma barra de comando. Essa conjuntura é investigada na tese O kitesurf em Barra Grande, município de Cajueiro da Praia – Piauí, Brasil, entre 2000 e 2024: bons ventos para velejar. No início deste ano, o trabalho foi defendido por André da Silva Dutra no Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Estudos do Lazer, da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (EEFFTO).

O autor explica que seu objetivo foi apresentar uma “narrativa verossímil” sobre a trajetória do kitesurf na vila – onde, antes de chegada dessa prática esportiva, o turismo era dirigido essencialmente a “grupos de veranistas e turistas interessados em banhos de sol e de mar”.

No campo empírico, André Dutra utilizou entrevistas semiestruturadas, observação direta e recorreu também ao Google Street View. Entre os entrevistados, foram selecionados moradores locais, turistas, empresários, instrutores de kitesurf, atletas amadores e profissionais e membros de associações comunitárias. Ele entrevistou 18 pessoas, de maio a setembro de 2022. Os relatos e observações foram sistematicamente categorizados em quadros temáticos que abarcaram desde aspectos simbólicos do esporte até implicações urbanísticas e sociais.

Oportunidades e desigualdades
Com a presença do kitesurf, o turismo em Barra Grande passou a responder às demandas dos seus praticantes (em sua maioria, estrangeiros), o que impulsionou a instalação de empreendimentos turísticos, como pousadas, chalés, escolas do esporte e restaurantes. A criação do Projeto Vivo, em 2013, pela Kite Escola Paraíso, democratizou o acesso ao esporte. “Muitos jovens que não podiam arcar com o alto custo dos equipamentos foram beneficiados e, posteriormente, conquistaram prêmios e reconhecimento, como Bia Silva e Emanoel Piçarrinha”, informa André Dutra.

O pesquisador lamenta, no entanto, que todo esse processo tenha sido marcado por segregação social. “A vila foi dividida entre a Barra Grande dos ricos e a Barra Grande dos pobres, sendo que os pobres foram perdendo espaço para os grandes empresários.” O fenômeno do kitesurf também provocou, segundo André Dutra, a diminuição do intercâmbio cultural, já que os turistas praticantes preferem ficar reclusos em hotéis e pousadas. “Antes da expansão da modalidade, os turistas eram mais próximos dos moradores e interagiam cotidianamente”, argumenta o autor da tese.

Maria Beatriz Silva, a Bia, foi campeã no Festival GKO Velas Trairi, no Ceará
Foto: Instagram

Identidade e memória coletiva
A imagem pública de Barra Grande como destino turístico associado à prática do kitesurf, como apurou André Dutra, hoje é amplamente difundida nos meios de comunicação. “Exemplos dessa representação também estão presentes em fachadas de bares e barracas, decoradas com pranchas ou fotos do esporte”, acrescenta o pesquisador. Nesse ponto, segundo ele, reside uma contradição, já que muitos dos moradores atualmente enfrentam dificuldades para se inserir no mercado gerado pelo turismo. “Esses nativos, que aprenderam o esporte de modo informal e o introduziram na comunidade, não conseguem competir com empreendedores de mais recursos”, aponta.

O autor projeta que sua pesquisa pode gerar desdobramentos importantes nos campos acadêmico, social e político. “As informações e análises produzidas podem apoiar a formulação de políticas públicas que levem em consideração as especificidades locais, a importância de estimular o protagonismo dos moradores e a necessidade de conciliar turismo, meio ambiente e cultura tradicional. É fundamental que a história do kitesurf em Barra Grande seja conhecida e valorizada pela sua comunidade, principalmente por crianças e adolescentes, nas escolas do povoado”, enfatiza André Dutra.

Tese: O kitesurf em Barra Grande, município de Cajueiro da Praia – Piauí, Brasil, entre 2000 e 2024: bons ventos para velejar
Autor: André da Silva Dutra
Orientadora: Maria Cristina Rosa
Defesa: 31 de janeiro de 2025, no Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Estudos do Lazer

Mais lidos

Semana
  • Não foram encontradas notícias com esse período

Notícias por categoria

Escolha a categoria:
Lazer e esporte

Sugira uma pauta

Acesse o formulário e sugira uma pauta para ser discutida.

Sugerir Pauta

Feed RSS

Receba atualizações das últimas notícias publicadas.