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Pesquisa e Inovação

Interesse dos jovens nas Forças Armadas e na Polícia Militar cresce, mostra estudo com a participação da UFMG

Por: Assessoria de Imprensa UFMG

Uma análise comparativa entre pesquisas realizadas em 2021 e 2025 revela crescimento significativo no interesse de jovens brasileiros por carreiras nas Forças Armadas e na Polícia Militar. O estudo foi conduzido em parceria entre o King’s College London, as universidades federais de Pernambuco (UFPE) e de Minas Gerais (UFMG), e a Sciences Po.

A edição mais recente da pesquisa, realizada em novembro de 2025, ouviu 2.032 jovens entre 18 e 26 anos por meio de painel eletrônico, com participantes de todas as regiões do país. Nenhum dos entrevistados possui vínculo com as Forças Armadas ou com as polícias militares. A pesquisa está em sua segunda versão. A primeira foi conduzida em 2021, com metodologia equivalente, o que permite a comparação direta entre os dois períodos. 

Além do crescimento no interesse pelas carreiras militares, os resultados apontam tendências demográficas e sociais relevantes entre os jovens com disposição para ingressar nas instituições. Os dados oferecem um retrato inédito sobre as motivações e o perfil dessa geração em relação às forças de segurança e defesa do país.

Interesse em carreira nas Forças Armadas salta de 43,8% para 55,6% em quatro anos

O interesse de jovens brasileiros por uma carreira nas Forças Armadas cresceu de forma expressiva entre 2021 e 2025, segundo a pesquisa comparativa conduzida pelas universidades King’s College London, UFPE, UFMG e Sciences Po.

Quando perguntados se considerariam atualmente uma carreira militar no Exército, na Marinha ou na Aeronáutica como opção de trabalho e emprego, a proporção de jovens que responderam “definitivamente sim” saltou de 19,9% para 30,7% — um crescimento de mais de dez pontos percentuais em quatro anos. Ao se somarem as respostas “definitivamente sim” e “provavelmente sim”, o interesse geral passou de 43,8% para 55,6%, superando pela primeira vez a marca da maioria dos entrevistados.

Os números indicam uma mudança relevante na percepção das novas gerações sobre as instituições militares como caminho profissional, em um intervalo de tempo relativamente curto. O perfil e as motivações por trás desse crescimento são detalhados nas demais etapas do levantamento, que prevêem a aplicação de pesquisa qualitativa com o mesmo perfil de brasileiros.

O crescimento no interesse por carreiras de segurança pública acompanhou o mesmo movimento observado nas Forças Armadas. Quando questionados sobre a Polícia Militar como opção profissional, a parcela de jovens que respondeu “definitivamente sim” saltou de 11,9% em 2021 para 25,6% em 2025.

O resultado reforça uma tendência mais ampla identificada pela pesquisa: a crescente atração das novas gerações por instituições de segurança e defesa do Estado. Se nas Forças Armadas o avanço foi de cerca de dez pontos percentuais entre os que afirmaram interesse categórico, na Polícia Militar o salto foi ainda mais acentuado, de quase 14 pontos — sugerindo que o fenômeno não se limita à esfera federal e se estende também às forças estaduais de segurança pública.

Quem são os jovens interessados em seguir carreiras militares?

Gênero
O interesse tanto nas Forças Armadas quanto na Polícia Militar teve algum aumento entre mulheres e homens entre 2021 e 2025. Entre os interessados nas Forças Armadas, as mulheres representavam 49,1% dos respondentes interessados em 2021 e passaram para 51% em 2025. Na Polícia Militar, os homens continuaram sendo uma leve maioria entre os interessados, passando de 51,1% para 51,6%.

Raça/Cor
O interesse aumentou tanto entre respondentes brancos quanto não brancos. embora o crescimento tenha sido mais forte entre os brancos no geral. Quando considerados os dados de raça/cor de maneira desagregada, têm-se que no cenário inicial (2021) o desinteresse era predominante, tanto para Forças Armadas quanto Polícia Militar.

O cenário de 2025 mostra um aumento do interesse expressivo na Polícia Militar independente da raça/cor dos respondentes. Em grupos raciais como pretos e pardos, diferentemente do cenário anterior, quase metade dos entrevistados demonstra interesse em atuar na instituição (49,8% e 48% respectivamente tem interesse). No entanto, ao considerar apenas aqueles que expressam interesse, a composição racial permaneceu em grande parte inalterada, com respondentes não brancos formando a maioria entre os interessados tanto nas Forças Armadas quanto na Polícia Militar.

Escolaridade
O interesse em ambas as carreiras aumentou em todos os níveis de escolaridade. Jovens com ensino médio representam a maior parcela entre os interessados. No caso da Polícia Militar, observa-se uma proporção maior de interesse entre jovens com níveis mais baixos de escolaridade formal.

Região
O interesse cresceu em todas as regiões do país. O aumento mais expressivo no interesse pelas Forças Armadas ocorreu na região Norte, onde o interesse subiu de 53,6% para 67,4%. No Sudeste, o interesse aumentou de 40% para 54,1%. Para a Polícia Militar, o Nordeste apresentou um forte crescimento, passando de 36,3% para 52,5%, enquanto o Norte viu o interesse subir de 40,5% para 57,1%.

Entre aqueles já interessados nessas carreiras, o Sudeste continua concentrando a maior parcela de jovens. Sua participação interna entre os interessados aumentou de 36,1% para 39,6% nas Forças Armadas e de 33,1% para 35,9% na Polícia Militar.

Religião
O recorte religioso da pesquisa revela que o crescimento do interesse por carreiras nas Forças Armadas e na Polícia Militar abrangeu a todos os grupos religiosos entre 2021 e 2025, mas com intensidades e padrões distintos entre as denominações.

Entre os grupos analisados, os jovens evangélicos apresentaram os maiores níveis proporcionais de interesse em 2025: 61,5% demonstraram disposição para seguir carreira nas Forças Armadas e 49,3% na Polícia Militar.

Ao se analisar a composição dos interessados, os evangélicos também são maioria entre os que consideram as Forças Armadas como opção profissional, representando 30,7% desse grupo em 2021 e avançando para 32,7% em 2025. Já entre os interessados na Polícia Militar, os católicos aparecem ligeiramente à frente nos dois períodos, com 34,2% em 2021 e 32,6% em 2025 — uma leve queda proporcional, ainda que o interesse absoluto tenha crescido no mesmo intervalo.

Atitudes e Valores

Satisfação com a Vida
Em busca de elementos que possam explicar a disposição para seguir carreiras militares, a pesquisa também tentou captar informações mais gerais sobre a juventude e a sua relação com outras esferas da vida. Nesse sentido, diante da pergunta “Pensando na vida que você leva hoje, você diria que está”, apontaram que a satisfação geral aumentou entre 2021 e 2025. Isso ocorreu tanto na amostra geral quanto entre aqueles interessados em carreiras nas Forças Armadas e na Polícia Militar. No primeiro ano da pesquisa, 31% dos jovens participantes afirmaram se sentir satisfeitos com a vida, enquanto em 2025 esse percentual alcança 44,7% dos entrevistados. Entre os interessados nas Forças Armadas e na Polícia Militar, essa média de satisfação é ainda maior, representando, respectivamente, 45,7% e 49,4% na versão mais recente da pesquisa.

Essa associação entre satisfação pessoal e interesse em carreiras de segurança e defesa pode indicar uma linha interessante de pesquisa, pois ao contrário de uma visão que associaria a busca por carreiras militares a contextos de vulnerabilidade ou insatisfação, os dados indicam que os jovens atraídos por essas instituições podem reportar níveis mais altos de bem-estar do que a média de seus pares.

Conservadorismo
As duas rodadas da pesquisa perguntaram sobre atitudes conservadoras que podem estar presentes na população de jovens. Os participantes deveriam escolher entre afirmativas mais ou menos conservadoras a respeito de temas como o cuidado com as crianças ser responsabilidade da mulher, o direito da população em geral, à posse de armas de fogo ou a melhor estratégia para a polícia combater a criminalidade. O índice é a média das respostas a 10 desses itens, padronizada de maneira a variar entre 0 (nenhum conservadorismo) a 1 (alto conservadorismo). Observando esse índice, identificou-se que o conservadorismo aumentou no período. Entre os respondentes interessados nas Forças Armadas, a média passou de aproximadamente 0,35 em 2021 para cerca de 0,47 em 2025. Mesmo para a população jovem em geral, a média subiu de 0,25 para 0,39. Para os respondentes interessados na Polícia Militar, o índice médio de conservadorismo aumentou de 0,36 para 0,48.

Orientação Empreendedora (2025)
Os dados de 2025 também indicam que jovens interessados nas Forças Armadas e na Polícia Militar tendem a relatar maior afinidade com o empreendedorismo do que aqueles que não têm interesse nessas carreiras. Como essa não foi uma pergunta mapeada no primeiro levantamento, não há elementos para a comparação no período. Porém, em 2025, quando perguntados, “qual sua afinidade com o empreendedorismo?” (em uma escala de 1 a 5, em que 1 é “nenhuma afinidade/interesse” e 5 é “muita afinidade/interesse”), a média da resposta foi de 3,63 entre os interessados nas Forças Armadas e de 3,65 entre os interessados na Polícia Militar, em comparação com 3,41 e 3,45, respectivamente, entre os não interessados em uma e outra instituição, respectivamente. A diferença é pequena e não parece manter uma associação significativa com o interesse em carreiras militares. Ou seja, jovens procuram tanto carreiras com estruturas hierárquicas e regime de trabalho bem estruturados (como o trabalho nas Forças Armadas ou na Polícia Militar) quanto o empreendedorismo individual.

O estudo é assinado por Andreza Aruska de Souza Santos, Valéria Cristina de Oliveira — professora da Faculdade de Educação da UFMG —, Dalson Britto Figueiredo Filho , Antônio Henrique Pires dos Santos, Matheus Filipe da Costa Mendes e Gabriel Feltran.

Fonte

Assessoria de Imprensa da UFMG

assessoriadeimprensa@ufmg.br

https://www.ufmg.br/comunicacao/assessoria-de-imprensa