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Pesquisa e Inovação

Interromper o desmatamento do Cerrado é imperativo para salvaguardar a produção de grãos brasileira, alerta artigo de pesquisadores da UFMG

Por: Assessoria de Imprensa UFMG

Pesquisa inédita da UFMG e do Woodwell Climate Research, publicada na Nature Sustainability, revela que o desmatamento intensifica as mudanças climáticas na região do Cerrado. Os pesquisadores demonstram que reduzir o desmatamento e cumprir o Código Florestal (CF), por outro lado, poderia amenizar esses efeitos severos. O estudo mostra que a conservação do Cerrado é vital para a viabilidade da produção de grãos, um alerta já discutido em relação à Amazônia, conforme dados da Nature Communications.

O Cerrado enfrenta uma crise climática sem precedentes, com aquecimento acima da média global e seca em 2024 considerada a mais severa em 700 anos, de acordo com a Nature Communications, com graves consequências para a produção e exportação de grãos e carne, uma vez que a região é responsável por 63% da produção agrícola do país. Chuvas 50% abaixo da média na safra 2020/2021 resultaram em uma perda de 7,3 milhões de toneladas de grãos, principalmente soja e milho, com prejuízo de R$72 bilhões.

Em 2022, isso contribuiu para uma queda no Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário no segundo trimestre. Na safra 2023/2024, o cenário piorou, com perdas recordes de 11,8 milhões de toneladas de soja (R$25 bilhões) e uma redução de 10% na produção de milho (R$10 bilhões), segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA Brasil). Dependente de chuvas cada vez mais imprevisíveis, o vibrante agronegócio do Cerrado enfrenta incertezas sobre sua própria sobrevivência.

Esse agravamento das condições do clima, frequentemente associado a mudanças climáticas globais e fenômenos como El Niño e La Niña, tem causas adicionais: a destruição da vegetação nativa. Nenhuma outra savana no mundo – o Cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica em todo o território mundial – tem passado por transformações tão extensas. A vegetação nativa do Cerrado reduziu-se de 127 milhões de hectares (Mha) para 95 Mha, ao passo em que as terras agrícolas duplicaram, de 38 Mha para 77 Mha nos últimos 20 anos, de acordo com o MapBiomas. Em consequência, o estudo indica que quebras de safra estão se formando mais frequentemente em áreas severamente desmatadas, evidenciando a interdependência entre a conservação do Cerrado e a produção agrícola.

Entre 1999 e 2019, regiões com maior vegetação nativa sofreram uma redução de 29,1 milímetros (mm) nas chuvas da primeira safra (soja) e 9,2 mm na segunda (milho). Já as áreas mais desmatadas enfrentaram quedas muito maiores: 90,5 mm e 109,1 mm, respectivamente. Nessas regiões, onde mais de 80% da vegetação nativa já foi destruída, as chuvas podem atrasar dez dias ou mais a cada dois anos, enquanto áreas mais conservadas, com até 20% apenas de perda, quase não enfrentam atrasos. Além disso, regiões altamente desmatadas sofrem uma redução de 200 mm de chuva na primeira safra a cada cinco anos, comparado a apenas uma vez a cada dez anos em áreas mais preservadas.

Os resultados, estatisticamente significantes, mostram ainda que atrasos nas chuvas já afetam 99% dos 8,1 milhões de hectares da dupla safra de soja e milho no Cerrado, com 61% dessas áreas sofrendo redução no volume de chuvas. Essas mudanças climáticas, intensificadas pelo desmatamento, aumentam as quebras de safra, que se tornam mais frequentes e severas, apesar de avanços tecnológicos que elevaram a produtividade da soja em 20% e do milho em 37%. Logo, as evidências apresentadas pelo artigo demonstram que o desmatamento é uma estratégia contraproducente para o agronegócio, com o cumprimento do Código Florestal, bem como a criação de regras mais estritas para o desmatamento legal, essenciais para o sucesso da agricultura no Cerrado.

A principal mensagem do estudo é clara: apesar dos muitos desafios, o Brasil tem capacidade e tecnologia para alcançar a conservação ambiental no Cerrado. O Sistema de Cadastro Ambiental Rural (CAR) já conta com mais de 7,3 milhões de registros de imóveis rurais. No entanto é necessário tornar o CAR um instrumento de fato eficiente para o combate ao desmatamento e grilagem de terra. O Cadastro Ambiental Rural necessita ser um sistema de monitoramento, relatório e verificação com averiguação de irregularidade quase em tempo real, como sobreposição às terras públicas (com base no e.g. CAR 2.0 – ferramenta de inteligência geoespacial desenvolvida para analisar automaticamente todos os imóveis rurais inscritos no Cadastro Ambiental Rural e verificar o cumprimento da legislação ambiental vigente, identificando eventuais pendências ou irregularidades ambientais a serem sanadas pelos proprietários ou posseiros).

Além disso, há uma necessidade de desenvolver o software CAR com código aberto, permitindo adaptações regionais e maior integração entre estados e governo federal. Isso facilitaria políticas como rastreabilidade de cadeias produtivas, já em curso pelo SeloVerde, empréstimos rurais subsidiados para os proprietários aderentes ao CF, pagamentos por serviços ambientais e a restauração de 12 milhões de hectares previstos no Planaveg. Por fim, é importante ressaltar que a conservação do Cerrado só pode ser assegurada com efetivação do direito territorial de povos tradicionais.

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Fonte

Assessoria de Comunicação do Centro de Sensoriamento Remoto

comunicacao.csr@gmail.com

https://csr.ufmg.br/

Mídia Complementar

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