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Pesquisa e Inovação

Mudanças comportamentais são decisivas no combate à obesidade infantil, aponta estudo da UFMG

Por: Assessoria de Imprensa UFMG

O tratamento da obesidade infantil deve priorizar mudanças no comportamento; o foco não deve ser a restrição calórica. Esta é a principal conclusão do estudo Eficácia de uma intervenção no estado nutricional e no consumo de alimentos ultraprocessados em crianças com obesidade atendidas na atenção primária à saúde no Brasil, coordenado pela professora Larissa Loures Mendes, do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG.

O estudo acompanhou 167 crianças com obesidade, entre 6 e 10 anos, atendidas em Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O objetivo foi investigar fatores associados à obesidade infantil e avaliar a efetividade de uma intervenção conduzida por profissionais, com foco na orientação das famílias.

De acordo com dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), a prevalência de obesidade em crianças de 5 a 9 anos no Brasil chegou a 9,4% em 2025, o equivalente a mais de 547 mil crianças, e esses números tendem a crescer ao longo dos anos. Além disso, entre 2013 e 2022, os gastos com obesidade entre crianças e adolescentes no Sistema Único de Saúde (SUS) alcançaram R$ 1,54 bilhão.

A coordenadora do estudo destaca que a obesidade é uma condição complexa e multifatorial, influenciada por fatores biológicos, sociais, econômicos e culturais. Nesse contexto, o ambiente alimentar — ou seja, o conjunto de condições que influenciam o acesso e consumo de alimentos— exerce papel central na determinação dos hábitos das crianças. “O ambiente em que a criança está inserida pode favorecer ou dificultar práticas alimentares e os hábitos de vida saudáveis”, explica Mendes.

Segundo a pesquisadora, o consumo de alimentos ultraprocessados é uma das principais preocupações para a saúde pública. Evidências mostram que esses alimentos estão associados à mortalidade precoce e a diversos problemas de saúde, incluindo obesidade, sobrepeso e aumento do Índice de Massa Corporal (IMC) em crianças. Além disso, os meios de produção dos ultraprocessados não são sustentáveis para as pessoas, a cultura, nem para o meio ambiente.

A intervenção incluiu quatro encontros semanais, com atividades de educação alimentar e nutricional individuais e em grupo, além de acompanhamento por telefone, uso de materiais educativos e cinco consultas com nutricionistas, com foco na compreensão e redução do consumo desses alimentos pelas crianças e suas famílias. Os resultados mostraram redução significativa no consumo de alimentos ultraprocessados a partir da terceira consulta, efeito que se manteve até o final do acompanhamento.

Embora não tenha sido observada redução significativa no IMC, as crianças também não apresentaram aumento desse indicador, o que é considerado um resultado positivo. Isso porque, nessa fase da vida, o objetivo é desacelerar o ganho excessivo de peso, permitindo que o crescimento em altura contribua para a melhora do estado nutricional ao longo do tempo. “O padrão de crescimento de crianças com obesidade pode ser prejudicado pelo ganho excessivo de peso. Por isso, é fundamental reduzir a velocidade desse ganho e promover hábitos saudáveis. Com o tempo, essas mudanças podem levar ao alcance de um peso adequado”, destaca a professora.

Para a pesquisadora, o enfrentamento da obesidade infantil exige ações integradas, com participação ativa das famílias, dos profissionais das áreas da saúde, educação, assistência social e de toda a comunidade. “Intervenções que combinam múltiplas estratégias e envolvem diferentes atores são mais eficazes do que aquelas focadas em um único aspecto”, conclui.

Além de Larissa Loures Mendes, também assinam o artigo as pesquisadoras da UFMG: Mariana Zogbi Jardim; Luana Lara Rocha e Milene Cristina Pessoa; da Ufop: Ariene Silva do Carmo; da Uerj: Daniela Silva Canella e Diana Barbosa Cunha e a representante do Ministério da Saúde: Lúcia Helena Almeida Gratão.

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Fonte

Assessoria de Comunicação da Escola de Enfermagem da UFMG

comunicacao@enf.ufmg.br

https://www.enf.ufmg.br/

Imagem de Divulgação

Crianças de Betim participam das oficinas realizadas durante a pesquisa (Divulgação Escola de Enfermagem da UFMG) Foto: