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Pesquisa e Inovação

Pesquisas da UFMG buscam aprimorar o diagnóstico e o tratamento de doenças hepáticas no SUS

Biópsia líquida e nova estratégia terapêutica podem ampliar o acesso ao cuidado com o fígado na saúde pública

Por: Assessoria de Imprensa UFMG

Dois projetos inéditos prometem ampliar as possibilidades de diagnóstico e tratamento da esteato-hepatite, doença hepática que envolve acúmulo de gordura no fígado associado à inflamação, podendo evoluir para cirrose e outras complicações graves. Aprovados pela Plataforma Brasil (base nacional e unificada de registros de pesquisas envolvendo seres humanos), os estudos serão coordenados pela professora da UFMG e pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Hepatologia 360 Graus, Maria de Fátima Leite.

As pesquisas abordam dois dos principais desafios atuais na hepatologia: a dificuldade de acesso a métodos diagnósticos não invasivos e a ausência de tratamentos de baixo custo disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). “O primeiro estudo pretende validar uma nova estratégia diagnóstica baseada em biópsia líquida, técnica que utiliza amostras de sangue para identificar marcadores relacionados à doença. Atualmente, o diagnóstico da esteato-hepatite depende, em muitos casos, de procedimentos invasivos, como a biópsia hepática, com custo elevado e acesso limitado ou, alternativamente, utiliza de recursos de diagnóstico por imagem, exigindo equipamentos de alto custo no local do exame”, explica Maria de Fátima.

Segundo a pesquisadora, a proposta é criar uma plataforma diagnóstica mais acessível, confiável e aplicável em todo o país. A biópsia líquida poderá ser coletada em qualquer região do Brasil e enviada para centros de referência, ampliando significativamente o acesso ao diagnóstico precoce. Outro ponto importante é a identificação da doença em fases iniciais, já que a esteato-hepatite pode ser revertida quando tratada precocemente.

Etapas
O estudo envolverá cerca de 1 mil participantes (que farão a biópsia líquida, por meio de coleta de sangue) e utilizará ferramentas de aprendizado de máquina – área da Inteligência Artificial na qual computadores aprendem de forma autônoma, por meio de dados e experiências. Isso permitirá analisar o grande volume de dados e variáveis do estudo, permitindo identificar padrões complexos em milhares de amostras de forma rápida e precisa, algo inviável manualmente. Com isso, a pesquisa busca desenvolver uma plataforma diagnóstica mais confiável, sensível e aplicável em larga escala. A expectativa é que os primeiros resultados possam ser observados em aproximadamente dois anos.

Já o segundo projeto corresponde a um estudo clínico de fase 2 voltado ao tratamento da esteato-hepatite. A pesquisa avaliará uma nova estratégia terapêutica com potencial de alta eficácia e baixo custo, característica considerada essencial para futura incorporação ao SUS. Ao todo, 60 participantes integrarão essa etapa clínica. Os pacientes receberão tratamento durante seis meses e seguirão em acompanhamento por mais seis meses. Como o recrutamento ocorrerá em diferentes períodos, a duração total do estudo ainda não tem prazo definido.

De acordo com a professora Maria de Fátima, ambos os projetos são inéditos no Brasil e também no cenário internacional. “Hoje não existe um diagnóstico por biópsia líquida validado para esteato-hepatite, assim como ainda não há tratamento de baixo custo aprovado e disponível pelo SUS”, destaca.

Além do potencial científico, os estudos têm forte impacto social ao dialogarem diretamente com demandas do sistema público de saúde. A expectativa é que as pesquisas contribuam para democratizar o acesso ao diagnóstico especializado e ampliem as alternativas terapêuticas para pacientes com doenças hepáticas em todo o país.

Impacto das doenças hepáticas no Brasil
As doenças hepáticas representam um importante desafio de saúde pública no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, a esteatose hepática – conhecida popularmente como gordura no fígado – afeta cerca de 30% dos brasileiros e pode evoluir para quadros graves, como esteato-hepatite, cirrose e câncer hepático. Estima-se, ainda, que aproximadamente metade dos pacientes com acúmulo de gordura no fígado possa desenvolver formas mais severas da doença. Entre os principais fatores de risco estão obesidade, diabetes, sedentarismo e má-alimentação, condições cada vez mais frequentes na população brasileira.

Além da crescente incidência, o país enfrenta elevada carga de doenças hepáticas crônicas – mais de 826 mil casos de hepatites virais foram confirmados no país entre 2000 e 2024, com risco de evolução para cirrose e câncer de fígado quando não diagnosticadas e tratadas precocemente.

 

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Fonte

Assessoria de Imprensa da UFMG

assessoriadeimprensa@ufmg.br

https://www.ufmg.br/comunicacao/assessoria-de-imprensa