Colóquio na Fale discute obra da poeta portuguesa Fátima Maldonado
Nesta semana, quarta e quinta-feira, 22 e 23 de abril, a Faculdade de Letras (Fale) sediará – sob a batuta de seu Centro de Estudos Portugueses (CESP) – o Colóquio Fátima Maldonado: cravar na língua uma farpa movente. O evento é realizado pela UFMG em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Todas as atividades serão ministradas no auditório 2001 da Faculdade de Letras, no campus Pampulha. Gratuitas, as inscrições de ouvintes poderão ser feitas no primeiro dia de evento, no seu início. A programação completa pode ser consultada on-line.
A recepção ao público ocorre às 9h45, e a primeira atividade tem início às 10h. O primeiro dia será dedicado às comunicações de pesquisadores de outras instituições. O destaque dessa programação é a mesa de abertura, na qual Maria Cristina Firmino Santos, professora do Departamento de Linguística e Literaturas da Universidade de Évora, de Portugal, falará sobre a obra de Fátima Maldonado a partir do mesmo mote do colóquio, Cravar na língua uma farpa movente.
Em seguida, falam pesquisadores de diferentes instituições, como Universidade Estadual Paulista (Unesp), UFMS e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), todos dedicados à pesquisa da poesia portuguesa moderna e contemporânea e/ou das teorias da poesia. A quinta-feira, 23, será voltada para as comunicações de pesquisadores da UFMG, como Ana Firpe Araújo Leão, Bruna Lara Leroy, Gabriela de Andrade Pereira, Jorge Antônio Miranda de Souza e Sofia Neves.
A homenageada
Fátima Maldonado é uma poeta e crítica literária portuguesa. Nascida em 1941, ela estreou em 1980 com Cidades indefesas. Em seguida, publicou, entre outros, Os presságios (1983), Selo selvagem (1985), A urna no deserto (1989), Caça e persuasões (com Paula Rego, 1991), Lava de espera (1996), Cadeias de transmissão (1999) e Vida extenuada (2007). No site do professor e poeta Antônio Miranda, pode-se ler o seguinte poema seu, retirado de Cadeias de transmissão:
Um fado
Quem viu barcos
ir ao fundo
tem nos olhos a certeza
aposta firme na boca
rude descrença na reza
Quem viu barcos trazer escravos
munições e artifícios
figueira brava na costa
açoite preso no riso
Quem viu barcos
magoá-lo,
ferros, lavas e palmeiras
descrê santos e novenas,
nega laços, destrói cercos,
toma ventos por lareiras.
22 a 23 de abril , 9h45
Evento gratuito
Local: Auditório 2001 da Faculdade de Letras, no campus Pampulha
Endereço: Avenida Presidente Antônio Carlos, 6.627 – Pampulha, Belo Horizonte