UFMG promove aula conjunta com professores de escolas públicas
Atividade neste sábado integra conjunto de ações, que se somam a projetos de extensão, para construção de espaço comum de formação docente
Por Teresa Sanches
A UFMG recebe, neste sábado (dia 30), 60 professores das escolas básicas dos municípios de Carmésia, Dores de Guanhães e Passa Quatro para uma aula conjunta com 40 estudantes das licenciaturas sobre transtorno do espectro autista. A atividade integra o conjunto de ações coordenadas pela Direitoria Universidade Educação Básica (Dueb), que vêm sendo realizadas no âmbito da política institucional da UFMG para a formação de professores da educação básica em espaços comuns de formação.
A professora Roberta Corrêa, diretora da Dueb, conta que a escolha do tema para essa aula conjunta partiu de demanda apresentada pelos próprios professores das escolas das redes públicas de ensino desses municípios, parceiros da UFMG. A construção de espaços comuns de formação docente vem sendo buscada em conjunto pelas demais 18 Instituições de Ensino Superior (IES) públicas do estado, vinculadas à Rede de Formação de Professores.
Extensão na formação docente
Na última terça-feira, dia 26, as pró-reitorias de Extensão (Proex) e de Graduação (Prograd) apresentaram os 25 projetos de extensão vencedores do edital Licex, que tem o objetivo de incentivar a formação inicial de professores para a educação básica por meio da concessão de bolsas para programas ou projetos de extensão. Segundo a pró-reitora adjunta de Extensão, Carmen Rosa Vergara, serão investidos R$ 300 mil em bolsas, nas modalidades Pbext e Pbext Ação Afirmativa, que serão destinadas exclusivamente a discentes da UFMG vinculados aos cursos de licenciaturas.
Para a pró-reitora-adjunta de Graduação, professora Maria José Flores, o edital poderá contribuir com a regularização curricular dos licenciandos que ingressam em 2023 na Universidade, quando passou a vigorar a obrigatoriedade do cumprimento de, pelo menos, 320 horas de atividades extensionistas do total de 3,2 mil horas para a formação do profissional docente.
Reunidos no auditório 2 da Faculdade de Ciências Econômicas, os coordenadores dos projetos e dos centros de extensão (Cenex) fizeram relatos sobre desafios enfrentados e possibilidades. Entre os 25 vencedores do edital Licex, 15 experiências foram apresentadas, algumas com mais tempo de percurso, outras mais recentes.
“As escolas nos ensinam muito, por meio das próprias dificuldades e especificidades de cada uma. As parcerias que fazemos com elas precisam ser adaptáveis às suas realidades e necessidades. E para o estudante, bolsista ou voluntário, a vivência com o professor em sala de aula, o contato com pedagogos e as interações com o público infantil, além das crianças de anos finais do ensino fundamental e do médio, contribui muito para sua formação. Realmente, não é simples medir isso, mas é possível e estamos pensando nessa possibilidade”.
O relato do professor Seme Gebara, do Departamento de Matemática do Instituto de Ciências Exatas (Icex), projeta o que se espera da formação docente em espaços comuns de formação, segundo o professor António Nóvoa, incentivador da proposta junto à UFMG e à Rede Mineira de Formação de Professores. “As atividades de extensão não devem ser marginais nesse processo. Não podem ser realizadas por voluntarismo, mas precisam ser institucionalizadas e acordada com as redes públicas dos municípios, para haver continuidade”, defendeu Nóvoa.
O projeto Descobridores da matemática, coordenado pelo professor Seme, teve início em 2017, em parceria com o Centro Pedagógico (CP), transpôs as fronteiras do campus e chegou à escolas municipais em 2019. Atualmente, conta com a colaboração de 22 estudantes, não só da graduação em Matemática, mas também dos cursos de Pedagogia, Artes Visuais, Filosofia, Educação Física, Matemática Computacional e Ciência da Informação. “No próximo ano, alunos de mestrado e de doutorado farão suas observações junto ao projeto, além de estudante de iniciação científica do Centro Pedagógico”, acrescentou o professor, lembrando que há oito semestres a atividade também é oferecida como disciplina optativa.
Para a professora Adriane Teresinha Sartori, da Faculdade de Letras, que coordena o projeto de extensão para ensino de língua portuguesa a adolescentes em privação de liberdade em sete unidades socioeducativas da Região Metropolitana de Belo Horizonte, os desafios são constantes. “Vivemos o embate sobre concepção de segurança e de educação. Em nossas reuniões, refletimos sobre esses espaços invisibilizados e sobre os conceitos e literatura que podemos levar a esses meninos. Estamos aprendendo junto com os professores das outras disciplinas e profissionais dessas unidades”, contou.
O projeto conta com quatro bolsistas e cinco voluntários, que atualmente estão escrevendo um projeto com a Defensoria Pública. A expectativa é que a ação extensionista chegue às 16 unidades socioeducativas da RMBH em 2026.
Na avaliação do professor António Nóvoa, as iniciativas de extensão para a formação de professores “não devem se configurar como excesso de trabalho e fragmentação, ou como iniciativas que “levam mais coisas e mais projetos para as escolas”. Ele defendeu que os 10% de atividades extensionistas no currículo da licenciaturas estejam, de fato, “integrados e enraizados à formação, para contribuir para a profissionalização docente dos licenciandos e para facilitar o trabalho dos professores nas escolas das redes públicas de ensino”.
Práticas docentes
Nos dias 9 e 10 de setembro, será realizado o V Seminário de Práticas Docentes, com o tema A formação em extensão nos cursos de licenciatura da UFMG: desafios e possibilidades para a construção de espaços comuns de formação de professoras(es) da educação básica. As inscrições, gratuitas, estão abertas na plataforma Even 3.
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