Ministro Camilo Santana visita obras de ampliação da Escola de Música
Retomada foi viabilizada com recursos do novo PAC, anunciado no ano passado; anexo deve ser concluído até o fim de 2026
Por Ewerton Martins Ribeiro
O ministro Camilo Santana, da Educação, visitou a UFMG nesta quinta-feira, 28, onde participou da cerimônia de retomada das obras de construção do anexo da Escola de Música, no campus Pampulha. Com três pavimentos, o anexo está sendo erguido em área de pouco mais 1 mil metros quadrados, em frente ao bosque que circunda a unidade. Cerca de 30% do projeto já foi realizado – sua estrutura, notadamente, está praticamente pronta. A previsão é que as obras do empreendimento sejam concluídas até o fim de 2026, com gestão e execução pela Fundação de Apoio da UFMG, a Fundep.
O anexo da Música vai abrigar cerca de 20 laboratórios – de percussão, baixo elétrico, guitarra, metais, canto etc. – tratados acusticamente para aulas práticas individuais e coletivas, além de espaços de apoio. “Você olha para uma Escola de Música dessas e vê o papel que ela tem de se abrir e prestar serviços à comunidade”, disse o ministro, após fazer o descerramento de placa, enquanto ouvia uma apresentação musical de professores e alunos dos cursos de metais da unidade. Conforme dão conta os dados técnicos do projeto do anexo, a novidade tem potencial de projetar internacionalmente a qualidade acústica dos laboratórios oferecidos pela Escola de Música da UFMG.
O ministro Camilo Santana aproveitou o evento de retomada das obras da Escola de Música para também falar à imprensa de outras prioridades da pasta que dirige, como a intenção de transferir o Hospital Risoleta Tolentino Neves para o âmbito federal. Gerenciado desde 2006 pela UFMG, o hospital pertence à Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, mas com gestão descentralizada para o município de Belo Horizonte. “O Risoleta Neves é um hospital que já serve [à população] como hospital universitário, mas que ainda tem a gestão no município e no estado. Queremos trazer esse hospital para a União”, disse o ministro.
Camilo Santana também afirmou que o governo tem trabalhado para aprovar no Congresso dois projetos de interesse das universidades federais brasileiras: um que estabeleça um orçamento fixo para as instituições universitárias do país, de modo a garantir “sustentabilidade e previsibilidade [orçamentária]”, e outro que torne obrigatório que reitores eleitos por suas comunidades sejam efetivamente conduzidos ao cargo. Segundo o ministro, para o primeiro objetivo, estuda-se a composição de um fundo orçamentário. Quanto ao segundo ponto, ele indica uma meta objetiva: impedir que governantes futuros voltem a não respeitar a escolha de comunidades universitárias em suas eleições internas como ocorreu na gestão anterior em várias instituições.
‘Última que faltava’
“Para nós, é uma enorme satisfação poder concluir aquilo que foi pactuado no passado”, disse a reitora Sandra Regina Goulart Almeida, após conseguir retomar a última obra acadêmica que faltava, entre as que haviam sido iniciadas e interrompidas nos ciclos anteriores.
A reitora recebeu o ministro acompanhada do vice-reitor, Alessandro Fernandes Moreira, e de outros gestores da UFMG. Os deputados federais Reginaldo Lopes e Rogério Correia – dois dos políticos brasileiros que tradicionalmente destinam emendas parlamentares para a UFMG – também participaram do evento.
Em conversa com os jornalistas presentes no encontro, Sandra Goulart lembrou que a construção do anexo da Música é uma das obras cuja retomada foi possibilitada pelo novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado em meados do ano passado. “Termos obras paralisadas sempre foi uma preocupação enorme nossa”, disse a reitora.
A construção do anexo da Música foi iniciada em 2013, mas acabou paralisada tempos depois em razão da falta de repasse de recursos. Com a retomada dos trabalhos, a expectativa é que o novo anexo possa ser concluído até o final de 2026, de modo a entrar em atividade no ano seguinte.
Atualmente, há ainda duas outras obras em andamento na UFMG cuja retomada foi viabilizada pelos recursos do novo PAC: a construção do anexo da Escola de Enfermagem, no campus Saúde, e a reforma das quadras da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (EEFFTO), no campus Pampulha.
Conclusão do ciclo Reuni
Antes de chegar à Escola de Música, o ministro Camilo Santana teve a oportunidade de passar rapidamente nos dois anexos da Escola de Belas Artes (EBA) inaugurados no início deste ano. A exemplo do anexo da Escola de Música, a construção dos anexos da EBA havia sido iniciada e interrompida em meados dos anos 2010. A obra foi retomada em 2022 e concluída em 2024.
Todos esses anexos haviam sido planejados para subsidiar a expansão do corpo discente da instituição, proporcionada pelo Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Executado de 2007 a 2012, o programa visou duplicar a oferta de vagas no ensino superior do Brasil, e muito dessa expansão efetivamente ocorreu. Contudo, várias das obras foram paralisadas, em razão de restrições orçamentárias que começaram a surgir em meados dos anos 2010.
Durante as duas últimas gestões federais (2016-2018 e 2019-2022), o problema se agravou com a política de teto de gastos, que comprometeu investimentos em saúde, educação e outras áreas estratégicas. De acordo com o ministro da Educação, uma das metas do atual governo é reverter essa política. “Desde que assumiu o governo em 2023, o presidente Lula tem procurado fazer um esforço para recompor os orçamentos das nossas universidades e instituições federais de ensino”, disse o ministro, situando especificamente o contexto de sua pasta.
Para Camilo Santana, a educação é justamente uma das áreas que precisa de uma recomposição orçamentária mais robusta, já que “sofreu significativamente ao longo desses anos” com os cortes realizados no orçamento. “É claro que ninguém consegue resolver tudo de uma vez. Então estamos trabalhando para isso. Retomamos os investimentos, e isso é o mais importante”, disse.
“Eu quero agradecer à receptividade da reitora Sandra, essa grande gestora, que está concluindo seu segundo mandato como reitora da Universidade”, concluiu o ministro. “Hoje é um dia de muita alegria para todos nós”, disse Sandra.
A TV UFMG também acompanhou a cerimônia. Assista à cobertura:
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