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Solenidade ocorre na terça, 8, no auditório da Reitoria; mostra no saguão reúne 100 imagens de pessoas representativas da história da Instituição
Por Redação
Na terça-feira, 8 de setembro, às 19h, a professora Ana Lúcia Almeida Gazzola, reitora na gestão 2002-2006, vai ministrar a conferência UFMG: uma universidade de todos os tempos no auditório da Reitoria, no campus Pampulha, em Belo Horizonte. Aberto ao público, o evento dará início às comemorações dos 99 anos da Universidade, completados na véspera.
Em seguida, ocorrerá a abertura da exposição UFMG Centenária: um século em pessoas, montada no saguão do prédio da Reitoria. Com curadoria de Carlos Magno Mendonça, Dawisson Belém Lopes e Flávio de Almeida e projeto expográfico de Fabrício Fernandino, a mostra apresenta 100 trajetórias que dão rosto à história da Universidade, revelando-a, mais que como uma instituição, como uma comunidade real, feita de gente.
“A UFMG tem uma história feita de pessoas: estudantes, professores, técnicos, pesquisadores, artistas e tantos outros que, ao longo de quase um século, fizeram dela um patrimônio do Brasil”, afirma o reitor Alessandro Moreira na apresentação da mostra. “Às vésperas de seu primeiro centenário, celebramos uma Universidade reconhecida pela excelência acadêmica, pela inovação, pelo compromisso social e pela vitalidade cultural, enraizada em Minas Gerais, aberta ao mundo e dedicada a transformar vidas”, demarca o reitor.
A proeminência dos egressos apresentados na mostra pode ser ilustrada pelos presidentes da República que nela aparecem. Nada menos que sete ex-presidentes figuram na lista, entre os quais estão Afonso Pena (1906-1909), primeiro diretor da Faculdade de Direito, Juscelino Kubitschek (1956-1961), que se formou em Medicina pela Universidade, Tancredo Neves (1985), egresso também da Faculdade de Direito, e Dilma Rousseff, que estudou na Faculdade de Ciências Econômicas, até hoje a única mulher a presidir o país.
Com os 100 nomes, a exposição completa e dá sequência à mostra inaugurada em 2025, intitulada UFMG centenária: memoráveis. Em sua segunda parte, a nova mostra reúne nomes como o da escritora Alaíde Lisboa, que foi professora da antiga Faculdade de Filosofia e vice-diretora da Faculdade de Educação da UFMG; Mietta Santiago, sufragista que cursou Direito na UFMG e questionou judicialmente, em 1928, a proibição do voto feminino, tornando-se eleitora e candidata a deputada federal; e o ex-prefeito de Belo Horizonte Célio de Castro, graduado e ex-professor da Faculdade de Medicina.
Quatro missões
Em sua conferência, Ana Lúcia Gazzola pretende falar da criação da universidade como “entidade do mundo ocidental” e de suas “quatro missões”, considerando a inovação junto do tripé ensino, pesquisa e extensão. “Quero mostrar por que a extensão e a inovação são particularmente estratégicas para a América Latina e o Caribe – para os países em desenvolvimento – e colocar a questão dos limites históricos que nós ainda temos de enfrentar no Brasil e na própria UFMG, ao mesmo tempo que temos de ampliar as ações da Universidade com vistas às necessidades e expectativas do século 21”, ela detalha.
Segunda mulher a comandar a UFMG em toda a sua centenária história (a primeira foi Vanessa Guimarães Pinto, na gestão 1990-1994), a hoje professora emérita Ana Lúcia Gazzola também foi vice-reitora na gestão 1998-2002, comandada pelo professor Francisco César de Sá Barreto. Ao recuperar a própria experiência de gestão, Gazzola pretende tratar da instituição universidade “como um pilar da democracia” e da educação e do conhecimento como bens públicos sociais.
“Pretendo me referir à pandemia para mostrar exatamente como a distribuição do conhecimento e dos meios de apropriação do conhecimento é desigual no mundo contemporâneo e que efeitos isso tem”, ela adianta. Partindo dessa premissa, Gazzola vai se aprofundar na importância da integração latino-americana e da inclusão, perspectivas que, de certa forma, atravessaram todas as gestões feitas da Universidade após seus mandatos. “A integração latino-americana é algo que o Brasil deve procurar incentivar; é uma necessidade da democracia e da soberania nacional”, afirma a dirigente.
Para Gazzola, se os desafios do século 21 não respeitam mais fronteiras, o conhecimento também não pode mais respeitá-las; precisa circular. “O crime organizado, as drogas, as questões climáticas, as migrações, os refugiados políticos; tudo isso são questões que desafiam as nossas noções de entidade nacional e as nossas fronteiras”, ela contextualiza. Naturalmente, sua abordagem aliará essas reflexões a uma recuperação da própria história da UFMG de enfrentamento desses e de outros desafios.
“A UFMG sempre esteve à altura dos desafios; ela sempre foi um bastião da democracia, sempre procurou democratizar a produção e a apropriação do conhecimento, o acesso”, opina a professora. “Vou falar também de como a Universidade desenvolve explicitamente uma perspectiva de inclusão, que é o que garante à Universidade a capacidade de responder às mudanças da sociedade – como, de fato, respondeu no passado, está respondendo no presente e certamente continuará respondendo no futuro.”
Resumo da trajetória
Nascida em Três Corações, Minas Gerais, em 1950, Ana Lúcia Gazzola graduou-se na Faculdade de Letras (Fale) da UFMG em 1973. Mestre em Literaturas Luso Brasileira e Hispano-Americana (1974) e doutora em Literatura Comparada (1978) pela Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill (UNC), dos Estados Unidos, concluiu pós-doutorado na Universidade Duke, do mesmo país, em 1994. Em seguida, atuou como professora visitante da Universidade Estadual de Portland (PSU) e da UNC.
Ao longo da carreira, ocupou diversas funções acadêmicas na Fale, em paralelo à atuação docente. Foi pró-reitora de pós-graduação (1987-1992), antes de assumir a vice-reitora em 1998. Paralelamente à gestão como reitora no mandato 2002-2006, presidiu, no biênio 2004-2005, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).
De 2006 a 2008, foi diretora do Instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina e no Caribe (IESALC), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Tornou-se professora emérita em 2008. Organizou, entre outros, o livro Universidade: cooperação internacional e diversidade (Editora UFMG, 2006) – este em coedição com a professora Sandra Goulart Almeida, reitora de 2018 a 2026.
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