Capim-meloso aumenta risco de incêndios e de redução da biodiversidade na Serra do Cipó
Documento científico produzido por INCT sediado na UFMG alerta para impactos da gramínea invasora e cobra políticas públicas e monitoramento contínuo na região
A rápida disseminação do capim-meloso (Melinis minutiflora) na Serra do Cipó acendeu um alerta sobre os riscos ecológicos e socioeconômicos provocados pela espécie exótica invasora. O policy brief (documento técnico-científico destinado a orientação de políticas públicas) Invasão biológica na Serra do Cipó: capim-meloso, publicado na última quarta-feira, dia 6, pelo Centro de Conhecimento em Biodiversidade (Biodiv) – um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) sediado na UFMG, sob a coordenação do professor Geraldo Wilson Fernandes – aponta que a planta africana tem favorecido a propagação de incêndios florestais, reduzido a biodiversidade local e ameaçado ecossistemas sensíveis como o campo rupestre. O documento sustenta que a falta de monitoramento sistemático e a ausência de políticas públicas específicas dificultam ações efetivas de controle, agravando o cenário.
A espécie, introduzida no Brasil no século 19 para uso em pastagens e revegetação de áreas degradadas, tornou-se uma das principais invasoras do Cerrado. Sua presença na Serra do Cipó e em regiões adjacentes tem provocado alterações drásticas nos ciclos do solo, dominado áreas naturais com densa biomassa seca e intensificado o chamado ciclo fogo-capim, em que o fogo estimula seu crescimento e dificulta a regeneração de plantas nativas.
Falta levantamentos sistemáticos
Produzido com participação de pesquisadores da UFMG, o documento também descreve impactos indiretos como a queda da produtividade agrícola, o comprometimento da recarga hídrica e prejuízos econômicos para comunidades locais. Desde 2015, de acordo com o policy brief, não há levantamentos sistemáticos sobre a invasão da espécie no Parque Nacional da Serra do Cipó, o que impede a elaboração de estratégias públicas eficazes de contenção.
Entre as recomendações propostas no policy brief, estão o mapeamento detalhado das áreas afetadas, o uso de tecnologias de sensoriamento remoto, a articulação com comunidades locais e a aplicação de métodos integrados – mecânicos, químicos e biológicos – para o controle da espécie. Os autores defendem que a resposta ao problema deve combinar ciência, ação pública e engajamento social. “É urgente implementar políticas públicas baseadas em evidências científicas que garantam a conservação da biodiversidade e a integridade dos ecossistemas da Serra do Cipó”, diz o texto.
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