‘Corpo-imagem afrodiaspórico’: pesquisa usa conceito inédito para tratar de racismo na Baixada Fluminense
Em sua tese na Comunicação Social, Frederico Mendes de Carvalho tomou como base a própria experiência de homem negro periférico; ele deu entrevista hoje à Rádio UFMG Educativa
O racismo opera de diversas formas na sociedade brasileira. Uma de suas manifestações se dá na esfera da imagem, afetando de maneira profunda a forma como os corpos negros são percebidos e tratados no país. Essa é a ideia que dá base à tese recém-defendida por Frederico Mendes de Carvalho no Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da UFMG. Com o título Olhar com o olho de dentro: corpo-imagem afrodiaspórico como experimento de autodefinição e autorreparação na Baixada Fluminense, a pesquisa orientada pela professora Luciana de Oliveira apresenta o conceito inédito de “corpo-imagem afrodiaspórico” em abordagem que rompe com cânones da ciência ocidental.
Professor do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), integrante da Câmara Temática do ODS 18, vinculada à Comissão Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Presidência da República, e pesquisador do Corisco, o Coletivo de Pesquisa e Ação em Contextos de Risco, vinculado ao PPGCom, Frederico Mendes de Carvalho conversou nesta quarta-feira, 30 de julho, com a jornalista Alessandra Ribeiro, no programa Conexões, da Rádio UFMG Educativa.
Em sua tese, que nasce de sua própria experiência de homem negro periférico, o professor destacou a importância dos saberes da experiência, explicou como a construção e desconstrução do racismo ocorrem no campo da imagem e ressaltou o papel fundamental da valorização da identidade afrodiaspórica. Frederico Mendes também falou da importância do Corisco em sua trajetória – ali ele se tornou “um pesquisador contracolonizante” – e de como obras de artistas negros são apresentados como uma exposição dentro da tese.
O pesquisador foi selecionado em dois editais da Capes em parceria com o MEC e o Ministério da Igualdade Racial para missões acadêmicas no Peru e em Angola. No país sul-americano, durante duas semanas entre agosto e setembro, ele vai estudar como os povos indígenas desenvolvem suas cadeias produtivas, com o objetivo de inspirar povos indígenas no Brasil. Na residência em Angola, prevista para novembro, Frederico pretende observar similaridades entre os povos de Luanda, onde funcionou o maior porto de onde partiam pessoas escravizadas para o Brasil, e da Pequena África – onde ele mora –, localizada na região do maior porto recebedor, no Rio de Janeiro.
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