Faculdade de Odontologia retoma atividades da Clínica da Gestante
Atendimento, gratuito, é destinado prioritariamente a mulheres da comunidade acadêmica
Por Luana Macieira
A partir desta quinta-feira, 21, a Faculdade de Odontologia da UFMG retoma as atividades da Clínica da Gestante. Os atendimentos, gratuitos, serão realizados na própria Unidade, no campus Pampulha. Para participar, as interessadas devem entrar em contato pelo WhatsApp, no número (31) 99884-6085. Podem participar gestantes residentes em Belo Horizonte, com prioridade para mulheres da comunidade acadêmica da UFMG – estudantes, docentes, servidoras técnico-administrativas e trabalhadoras terceirizadas.
A coordenadora da Clínica da Gestante e professora do Departamento de Odontologia Social e Preventiva da Faculdade de Odontologia da UFMG, Lívia Zina, explica que o atendimento contempla praticamente todas as necessidades odontológicas das gestantes, com exceção da confecção de próteses dentárias e da realização de cirurgias orais mais complexas. “Essas cirurgias implicam algumas restrições, dependendo do quadro clínico da paciente. Como as próteses demandam um tempo maior de atendimento, elas acabam indo de encontro ao nosso objetivo na Clínica, que é atender o maior número possível de mulheres”, afirma.
Zina explica que a gestante é uma paciente com especificidades. “A gestante é considerada uma paciente com risco temporário para as doenças bucais, e ela tem algumas demandas específicas de cuidado. No atendimento odontológico, temos que prestar atenção a alguns detalhes, como o próprio posicionamento na cadeira odontológica, por exemplo, ou os medicamentos que podem ou não ser prescritos, e anestésicos que podem ou não ser utilizados.”
A professora lembra que Belo Horizonte, assim como outros municípios brasileiros, oferece atendimento odontológico a gestantes por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ela, a oferta do serviço pela UFMG representa uma iniciativa inovadora na formação de dentistas para o atendimento odontológico desse público.
“Apesar do pré-natal odontológico não ser algo novo, ele ainda enfrenta inúmeras barreiras para a sua realização, e uma delas é justamente a formação de recursos humanos. A UFMG se destaca no cenário nacional como uma das poucas instituições que ofertam esse tipo de formação de maneira integrada, incluindo tanto as partes clínica e teórica quanto a extensão e as pesquisas que são realizadas”, avalia a coordenadora.
Como é a formação dos recursos humanos
Lívia Zina conta que o projeto de atendimento odontológico à gestante surgiu da necessidade de formação de recursos humanos na área. “Sempre houve uma grande demanda por atendimento desse público, considerado prioritário, mas a maioria das faculdades de odontologia não trabalha essa perspectiva na formação dos estudantes. Por isso, em 2016, criamos a disciplina Cuidados em saúde bucal para gestantes. Inicialmente, ela era apenas teórica, mas, em 2019, foi ampliada para incluir atividades práticas e atendimento odontológico, com a criação da Clínica da Gestante.”
Os estudantes que cursam a disciplina optativa aprendem sobre a fisiologia da gestação e os conhecimentos técnicos necessários para esse tipo de atendimento. A disciplina aborda temas como embriologia e fisiologia da gestação, alterações na cavidade bucal e especificidades do tratamento odontológico durante esse período, incluindo procedimentos clínicos, medicamentos e aleitamento materno.
Até o momento, cerca de 200 estudantes já foram capacitados, por meio da disciplina optativa, para o atendimento odontológico a gestantes, e 70 mulheres já foram atendidas pela Clínica da Gestante. Além da Clínica, a UFMG também desenvolve o projeto de extensão Tal mãe, tal filho, dedicado à promoção da saúde bucal de gestantes.
Especificidades
Em relação às especificidades das gestantes atendidas pela Clínica, Lívia Zina afirma que é comum a ocorrência de alterações gengivais e dores de dente. “Enquanto as alterações gengivais podem ocorrer em decorrência das alterações hormonais da gestação, as dores dentárias não têm essa origem. Existem alguns ditados e crenças populares que dão conta que a gestação enfraquece os dentes, que a grávida não pode ir ao dentista, mas tudo isso são concepções equivocadas sobre suas necessidades. As dores de dente comumente estão associadas às mudanças de hábitos alimentares e de hábitos de higiene bucal das grávidas”, diz.
A professora acrescenta que, durante o primeiro trimestre da gestação, muitas mulheres apresentam náuseas e enjoos que podem provocar vômitos. Segundo ela, esses episódios alteram o pH bucal, o que pode contribuir indiretamente para o desenvolvimento de cáries. “Além disso, em alguns grupos específicos, especialmente entre mulheres que já apresentam risco de parto prematuro, as doenças periodontais podem agravar esse quadro, evidenciando a relação entre infecção periodontal e saúde geral. Tudo isso demonstra a importância de que a gestante passe por avaliações e atendimento odontológicos”, conclui a coordenadora da Clínica da Gestante, Lívia Zina.
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