“As mortes ocorridas ultimamente são a ponta do iceberg de todo o nível de violação que ocorre no sistema prisional de Minas”, afirma Robson Sávio
Presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos de Minas Gerais destaca condições precárias nos presídios mineiros
Nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026, o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos de Minas Gerais, especialista em estudos de criminalidade e segurança pública e doutor em Ciências Sociais, Robson Sávio Reis Souza, conversou com a jornalista e apresentadora Alessandra Dantas, no programa Acesso Livre.
O cenário de violações de direitos humanos de pessoas em situação de privação de liberdade, infelizmente, é uma realidade em nosso país. E aqui em Minas Gerais, segundo estado com maior população carcerária do Brasil, não seria diferente. Recentemente, teve bastante visibilidade o registro de quatro mortes entre os dias 26 de fevereiro e 14 de março no Ceresp Gameleira, Centro de Remanejamento do Sistema Prisional, aqui em Belo Horizonte. Um dos casos envolve um preso que morreu por infecção e insuficiência respiratória. Segundo registros médicos, o atendimento foi prejudicado pela falta de estrutura, como equipamentos básicos. Em outra unidade, o Presídio Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, foi confirmada, também no dia 14, a morte de um quinto detento, encontrado na cela sem sinais vitais por policiais penais.
O professor Robson Sávio destacou as condições precárias nas unidades prisionais, ressaltando que o cenário vai muito além das mortes de pessoas privadas de liberdade noticiadas recentemente. “Infelizmente, isso só é a ponta do iceberg. No Conselho Estadual dos Direitos Humanos, praticamente 80% das denúncias de violações de direitos humanos que nós processamos ao longo do ano, acompanhamos, monitoramos, pedimos providência e solicitamos abertura de processo, tem a ver com a área prisional. São cerca de 800 denúncias por ano”, detalhou.