Caso Marielle: Professora da UFRJ Luciana Boiteux comenta condenação dos irmãos Brazão pelo STF
A condenação dos mandantes das mortes de Marielle e Anderson significa uma responsabilidade estatal, destaca a professora
Nesta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, a professora de Direito Penal e Criminologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luciana Boiteux participou do programa Conexões.
Por unanimidade, a primeira turma do STF sentenciou os irmãos Brazão como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 2018, no Rio de Janeiro. O conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Domingos Brazão, e o ex-deputado federal, Chiquinho Brazão, foram condenados a 76 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, duplo homicídio e tentativa de homicídio contra a assessora de Marielle, Fernanda Chaves, que sobreviveu ao atentado.
Há dois anos, eles estão presos preventivamente e podem recorrer da decisão. Durante o julgamento, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, destacou o caráter misógino e político do crime. Para ele, o assassinato da vereadora Marielle Franco representa um “episódio de violência política de gênero contra uma mulher preta que ousou ir de encontro aos interesses de milicianos”. A declaração do ministro não deixa dúvida sobre a dimensão simbólica e estrutural do crime, reconhecido não apenas como execução política, mas também com ataque à participação de mulheres negras nas esferas de poder. Familiares de Marielle e Anderson e também dos réus acompanharam o julgamento na primeira turma do Supremo Tribunal Federal.
A professora Luciana Boiteux ressaltou que a luta por justiça foi árdua e a condenação significa uma responsabilidade estatal. Ela destacou tudo o que Marielle representava e representa e, por isso, foi alvo da milícia do Rio de Janeiro, junto com seu motorista, Anderson. A pesquisadora também falou da dor de lembrar dessa perda e pontuou: honrar a memória de Marielle é algo que deve ser feito cotidianamente.