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Cessar-fogo EUA x Irã: Trump diz que venceu para justificar a guerra, afirma professor da PUC Minas Rodrigo Ayupe

Mesmo com acordo anunciado, há incerteza se haverá uma paz duradoura ou apenas uma trégua estratégica

Nesta quinta-feira, 9 de abril de 2026, o professor da PUC Minas, Doutor em Antropologia e pesquisador do NEOM, Núcleo de Estudos do Oriente Médio, da Universidade Federal Fluminense, e do Grupo de Estudos do Oriente Médio e do Magrebe, da PUC-Minas, com 10 anos de experiência de trabalho de campo no Oriente Médio, Rodrigo Ayupe, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.

Estados Unidos e Irã estariam se aproximando de um acordo de paz, ainda que incerto. O conflito, que dura desde 28 de fevereiro deste ano, foi iniciado quando o governo norte-americano, em conjunto com Israel, coordenou um ataque em vários pontos do Irã. No entanto, a guerra que se desdobrou a partir desses acontecimentos pode estar caminhando para o fim. O presidente estadunidense, Donald Trump, publicou em sua rede social que ambos os países estavam “muito avançados” e que haviam concordado com um cessar-fogo de duas semanas para permitir o avanço das negociações. Esse avanço passa por alguns pedidos de ambos os países. Para os Estados Unidos, é essencial que ocorra a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego comercial.

Já o Irã exige a manutenção do controle da região, a aceitação do programa de enriquecimento de urânio, e a suspensão de todas as sanções contra o país. Essas conversas, contudo, foram impactadas pelo ataque israelense aos moradores da cidade de Tiro, no sul do Líbano. A ação ocorreu após o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarar que o cessar-fogo entre EUA e Irã não se aplicaria ao território libanês. O resultado é o fechamento do Estreito, que reabriu por apenas 2 dias. Outro fator preocupante foram as ameaças de Trump contra a população iraniana. A declaração, nessa terça, de que uma civilização toda iria morrer para nunca mais ser ressuscitada foi realizada no mesmo dia em que foi comunicado o avanço nas negociações de paz. O governo brasileiro saudou o anúncio de cessar-fogo e destacou a importância de que o fim do cenário hostil se estendesse ao Líbano.

O professor recapitulou os conflitos entre EUA/Israel e o Irã em 2025, que duraram 12 dias, e analisou a nova ofensiva, iniciada em 28 de fevereiro. Para ele, Trump apostou no trunfo de ter eliminado o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no primeiro dia, acreditando que o regime seria derrubado, o que não aconteceu e mostra que o cálculo estadunidense deu errado. O pesquisador defendeu que Trump afirma ter a vitória com o acordo de cessar-fogo, mas usa essa retórica para justificar a guerra interna e externamente. Ayupe avaliou que o acordo ainda é frágil e há incerteza se haverá uma paz duradoura ou apenas uma trégua estratégica.

Produção: Vyctória Alves e Hugo Rezende sob orientação de Luíza Glória e Alessandra Dantas

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