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Chacina no Rio de Janeiro expõe política de extermínio e negação dos direitos humanos

Nesta segunda-feira, 3 de novembro de 2025, a cientista social Isabela Araújo, pesquisadora do Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da UFMG, conversou com o jornalista Hugo Rafael, no programa Acesso Livre, sobre a chacina ocorrida nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.

Ao menos 121 mortes foram confirmadas naquela que superou o massacre do Carandiru como a maior chacina no Brasil. Esse foi o desfecho da chamada Operação Contenção, uma megaoperação conjunta das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na semana passada. A ação, que mobilizou cerca de 2.500 agentes das forças estaduais de segurança, foi feita sob a justificativa de combater a expansão territorial do Comando Vermelho nas regiões. Desde então, temos visto uma variedade de reações. O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, disse que a Operação de Contenção foi um sucesso, e tem visto alta em seus índices de aprovação.

Relatório da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro sobre operações ocorridas nos complexos do Alemão e da Penha cita violações de direitos, como buscas indevidas em residências sem mandado e negação de socorro a moradores. Dias depois, uma pesquisa da agência Quaest sobre a ação mostrou que 64% dos entrevistados aprovaram a megaoperação no Rio de Janeiro, embora 52% das pessoas tenham dito se sentir mais inseguras depois dela. O descompasso entre os números revela uma política de segurança pública em colapso e a necessidade de correção de rumos.

Isabela Araújo é doutora em sociologia pela Universidade Federal de São Carlos, mestre em sociologia pela UFMG. Atualmente, é residente pós-doutoral no Crisp/UFMG e também integra o Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflito (Gevac), da UFSCar, e atua em pesquisas na área de sociologia da prisão, da punição e do conflito.

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