Dia de Combate à Intolerância Religiosa: Dandara Suburbana expõe racismo em “A Culpa é do Diabo”
Mulher preta, filha de Xangô e historiadora destaca que a demonização da cultura negra esconde muita coisa no Brasil
Nesta quarta-feira, 21 de janeiro 2026, a escritora, historiadora, doutora em Sociologia, pós-doutora em Educação, mulher preta, filha de Xangô, cria do subúrbio do Rio de Janeiro, que atua no enfrentamento ao racismo religioso e na defesa das espiritualidades de matriz africana, criadora da Ataré Palavra Terapia e autora do livro “A Culpa é do Diabo”, Carolina Rocha, também conhecida como Dandara Suburbana, conversou com o jornalista e apresentador Hugo Rafael.
Hoje é o “Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa”. A data escolhida é uma homenagem a yalorixá Mãe Gilda de Ogum, ativista e representante do Candomblé, na Bahia. Ela morreu por um infarto fulminante depois de ter seu terreiro e casa invadidos, ser perseguida e agredida no dia 21 de janeiro de 2000. Apesar de passados exatos 26 anos, de acordo com os dados mais recentes do Disque 100 sobre casos de intolerância religiosa, o Brasil registrou cerca de duas mil e quatrocentas denúncias em 2024. Entre as religiões que registraram o maior número de violações, destacam-se as principais denominações de matriz africana, a umbanda e o candomblé. No recorte de gênero, a maioria das vítimas de discriminação religiosa são mulheres, com mais de 1400 casos.
O racismo religioso é um dos principais temas do livro da nossa convidada de hoje “A Culpa é do Diabo”, lançado pela editora Oficina Raquel. Nele, a escritora Carolina Rocha, autora de outras obras e também conhecida como Dandara Suburbana, aborda como a existência de comunidades de axé está ameaçada nas favelas, nas periferias, lugares de resistência da cultura negra. O cenário tem relação com o racismo religioso, que vem desde a colonização brasileira e hoje se perpetua em territórios dominados por varejistas de drogas que professam a fé evangélica.
A mulher preta, filha de Xangô, historiadora e doutora em Sociologia destacou que a proposta do livro é mostrar como a demonização da cultura negra esconde muita coisa no Brasil, como as desigualdades e a manutenção de um sistema de privilégios. Ela defendeu o uso do termo racismo religioso, pois os ataques às religiões de matriz africana vão além da intolerância e são baseados em uma hierarquia racial brasileira, que vem desde a colonização e assume novas formas atualmente. Dandara Suburbana ressaltou o papel de lideranças cristãs, baseadas no racismo religioso, no estímulo à eliminação das religiões de matriz africana. Ela também exaltou o terreiro como lugar de formação humana, política, saúde, arte e cuidado coletivo.