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Greve de professores em BH: Professora da UFMG Mônica Baptista analisa cenário da educação municipal

Coordenadora da Casa da Infância destaca queixa do movimento à falta de diálogo do poder público, que é o ponto central

Nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026, a professora associada da Faculdade de Educação da UFMG, líder do grupo de pesquisa LEPI, Leitura e Escrita na Primeira Infância, coordenadora nacional do Projeto Leitura e Escrita na Educação Infantil e coordenadora da Casa da Infância da UFMG, Mônica Baptista, conversou com o jornalista e apresentador Hugo Rafael.

A greve dos professores da rede municipal de Belo Horizonte já completou um mês. Os educadores pararam as atividades no final de abril, motivados por uma pauta com cerca de 70 itens. Eles pedem aumento de salário, melhores condições de trabalho nas salas de aula, contratação de novos funcionários e o fim do corte de verbas. O cenário segue tenso, depois que a Prefeitura anunciou corte de salário dos dias de paralisação e condicionou as negociações de reposição salarial e de aulas ao fim imediato da greve. Em resposta, os professores decidiram manter a mobilização, com nova assembleia marcada para hoje.

No centro do debate, além das perdas salariais e estruturais, estão temas como o modelo de contratação de profissionais de apoio para a educação inclusiva via OSCs, Organizações da Sociedade Civil, e a preocupação com o ano letivo, já que a prefeitura admitiu que não será possível cumprir os 200 dias de aula garantidos por lei. Pesquisadoras e pesquisadores da Casa da Infância, órgão complementar da Faculdade de Educação, por meio do NEPEI, Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Infância e Educação Infantil, emitiram uma nota pública sobre a situação atual da educação no município e em apoio aos professores paralisados.

A professora destacou as queixas dos grevistas pela falta de diálogo da prefeitura, um ponto que é fundamental. Ela chamou a atenção para a proposta de contratação de profissionais de apoio para a educação inclusiva via OSCs, Organizações da Sociedade Civil, ponto de importante de impasse, recomendando cautela com a terceirização desenfreada na educação, que é um problema nacional. Baptista ressaltou o avanço que é constatar como a primeira infância entrou na pauta das políticas municipais e estaduais nos últimos anos, mas frisou que há muitos avanços necessários, como a valorização do professor e o investimento na formação.

Produção: Ingrid Mendonça, sob orientação de Alessandra Dantas e Luiza Glória

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