“Lista suja é um dos mecanismos mais eficazes de combate ao trabalho análogo à escravidão”, defende professora da UFMG Lívia Miraglia
Professora da Faculdade de Direito destaca Minas como primeiro estado a criar grupo de fiscalização regional
Nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026, a professora de Direito do Trabalho da UFMG e coordenadora da Clínica de Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas da Universidade, Lívia Miraglia, conversou com o jornalista e apresentador Hugo Rafael, no programa Conexões.
Foi divulgada a atualização da chamada “lista suja” do trabalho análogo à escravidão no Brasil. As atividades conduzidas pela Auditoria-Fiscal do Trabalho revelam que a lista de empregadores que se enquadram nessa prática abusiva aumentou desde a última edição: 169 pessoas físicas e jurídicas entraram para o cadastro, um aumento de 6,28%. Agora são mais de 600 empregadores na lista suja. A fiscalização resultou na libertação de mais de duas mil pessoas dessa condição de exploração.
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego dos últimos oito anos, obtidos pela agência Fiquem Sabendo por meio da Lei Acesso à Informação, revelam que, nesse período, em média cinco pessoas foram resgatadas por dia em situação de trabalho análogo à escravidão no país, o que equivale a mais de 16 mil pessoas. Esses dados incluem mais de 360 adolescentes e pelo menos 218 pessoas idosas. Entre os empregadores, houve repercussão pela inclusão da montadora chinesa BYD, que vem crescendo no mercado automobilístico com carros elétricos, e do cantor Amado Batista, que aparece em duas autuações registradas na Região Metropolitana de Goiânia. A empresa chinesa entrou no cadastro após o resgate de 220 trabalhadores chineses contratados para atuar na construção da fábrica da empresa em Camaçari, na Bahia.
A professora destacou a importância do documento e explicou que a inclusão de pessoas físicas e empresas na lista suja só ocorre depois da possibilidade de recurso. Ter o nome nesse grupo traz restrições financeiras e danos de imagem para que a conduta seja repensada. Outro ponto comentado foi o perfil das pessoas resgatadas em condições não apenas de trabalho forçado, mas também degradantes, sem acesso a esgotamento sanitário, água e alojamento precário. Ela também exaltou o trabalho de Minas Gerais como o estado que mais realiza operações de regate e mais tira pessoas do trabalho análogo à escravidão, dando condições para restituir a dignidade delas.
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Produção: Vyctória Alves e Hugo Rezende sob orientação de Luíza Glória e Alessandra Dantas