Mesa redonda aborda resolução da UFMG que aprovou cotas trans na graduação e na pós-graduação, outras medidas e desafios que persistem
UFMG Educativa recebeu estudantes trans, ex-aluna trans e a presidente da Comissão Permanente de Diversidade de Gênero e Sexualidade da UFMG
Nesta quinta-feira, 19 de março de 2026, o programa Conexões realizou uma mesa redonda para debater a aprovação das cotas trans para graduação e pós-graduação na UFMG e a realidade dessa comunidade na Universidade, conduzida pela jornalista e apresentadora Luiza Glória.
Participaram a artista de Belo Horizonte, mulher trans travesti, com criações no teatro, no cinema e na literatura, trabalha nas áreas da atuação, performance, escrita, direção, crítica, produção, curadoria, comunicação e palhaçaria, ex-estudante da UFMG e coordenadora de comunicação do Centro Cultural Galpão Cine Horto, Bramma Bremmer; a estudante de Farmácia, mulher trans travesti, participante da contrução da comissão permanente de diversidade gênero e sexualidade da UFMG, que constrói a coletiva Cintura Fina com o DCE, Híris Silvério; o estudante de Letras, homem trans, que constrói o movimento Afronte e atua nas contratações do DCE, Nicolas Mikael Victor da Silva; e a professora do Departamento de Comunicação Social e presidente da Comissão Permanente de Diversidade de Gênero e Sexualidade da UFMG, Joana Ziller.

Na última década, o acesso ao ensino superior por meio do sistema de cotas se expandiu no Brasil e vem, aos poucos, mudando a cara das universidades. As ações afirmativas incluem estudantes negros, pessoas vindas de escolas públicas, indígenas e quilombolas. Agora, uma série de universidades tem instituído a reserva de vagas para pessoas trans e travestis, incluindo a UFMG, que aprovou as cotas trans no último dia 5, por decisão do Conselho Universitário. Essa é uma mudança histórica para a nossa Universidade! Segundo a resolução, os cursos de graduação vão ter, no mínimo, uma vaga adicional para pessoas trans e travestis em todas as entradas. Já na pós-graduação, as vagas já haviam sido aprovadas pelo Cepe, Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, no final de fevereiro.
Segundo a Antra, Associação Nacional de Travestis e Transsexuais, em 2022, 70% das pessoas trans não concluíram o Ensino Médio e apenas 0,02% tiveram acesso ao Ensino Superior. Os dados comprovam a necessidade de medidas como as cotas trans. Assim como em outras ações afirmativas, elas vão ser supervisionadas por uma comissão que vai verificar a aptidão dos candidatos a essa política. No entanto, os critérios de seleção ainda precisam ser apresentados em um edital específico. O mesmo deve ocorrer na pós-graduação com a publicação de editais suplementares nos processos seletivos.
O ingresso de estudantes pelas cotas trans na UFMG começa em 2027. Pensando na permanência das pessoas trans e travestis na Universidade, a resolução também contempla a criação de banheiros inclusivos, ofertando pelo menos dois deles em cada prédio da UFMG para serem usados de acordo com a identidade de gênero.