Novo surto de ebola na África é emergência de saúde pública e preocupa países próximos, mas não há risco de pandemia, afirma professor da UFMG
Flávio da Fonseca destaca que os vírus ebola não têm alta transmissibilidade, como os respiratórios, o que dificulta a disseminação global
Nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, o virologista do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG e atual diretor de produção científica na Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade (PRPq), Flávio da Fonseca, conversou com o apresentador e jornalista Hugo Rafael, no programa Conexões.
Mais de 500 casos suspeitos e pelo menos 139 mortes investigadas em surtos de ebola já foram registrados no continente africano, segundo a OMS, Organização Mundial da Saúde. O ebola é uma doença viral grave, transmitida pelo contato direto com sangue e outros fluidos corporais infectados, que pode causar febre alta e hemorragias, com alta taxa de letalidade. Os casos e mortes vêm sendo monitorados principalmente na República Democrática do Congo e em Uganda, onde autoridades sanitárias tentam conter o avanço da doença e evitar que chegue a outros países da região.
O cenário reacendeu o alerta internacional diante da possibilidade de subnotificação e dificuldade de controle em algumas áreas afetadas. Além do número de vítimas, especialistas também acompanham fatores como a demora na identificação dos casos, a circulação de pessoas entre fronteiras e os desafios enfrentados pelos serviços de saúde locais. Surtos de ebola são recorrentes no continente afircano desde a década de 1970, quando a doença foi identificada pela primeira vez, com episódios frequentes desde então
O professor ressaltou que os surtos de ebola em países do continente africano são recorrentes, mas com poucos casos. A situação atual chama atenção pelo aumento de ocorrências. Assim, o virologista destacou que há uma emergência de saúde pública internacional, que preocupa no momento os países vizinhos, mas não há risco pandêmico. Fonseca alertou que é preciso um monitoramento atento pelas autoridades de saúde, até porque não há vacina nem tratamento para a doença, mas a transmissibilidade dos vírus ebola é baixa, uma vez que a contaminação se dá pelo sangue.
Produção: Ingrid Mendonça, sob orientação de Alessandra Dantas e Hugo Rafael